Miseráveis são menos de 20% da população pela 1ª vez, diz FGV

20/09/2007 – O número de miseráveis no Brasil diminuiu em aproximadamente seis milhões de pessoas no ano passado. Uma queda de 15,2% em relação a 2005, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Esta foi a primeira vez que o número de miseráveis ficou abaixo de 20% da população brasileira, desde que a FGV começou a realizar a medição, em 1992. Naquele ano, o percentual de miseráveis atingiu 35,16%.
A desigualdade no país também caiu. A renda dos 10% mais pobres subiu 57,4% e a dos 10% mais ricos aumentou quase 10 vezes menos, 6,8%.
O estudo ‘Miséria, Desigualdade e Políticas de Renda’ mostrou que, em 2006, a quantidade de miseráveis atingiu 36,1 milhões de pessoas. O número equivale a 19,3% da população brasileira, contra 42 milhões no ano anterior (22,7%).
“Acho que essa queda em 2006 vai se repetir em 2007, uma vez que o crescimento da economia é bom, há uma perspectiva boa para o aumento do emprego e há também uma continuidade dos programas sociais do governo”, disse
o economista responsável pela pesquisa, Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da FGV. Pelos critérios do levantamento da FGV, considera-se miserável uma pessoa que tem renda per capita domiciliar inferior a R$ 125 por mês.
O levantamento revela que o Estado de Alagoas tem o maior percentual de miseráveis no Brasil (44,4%), enquanto Santa Catarina tem o mais baixo (4,6%). São Paulo apresenta o terceiro menor e o Rio de Janeiro, o sexto.
A miséria de 2005 para 2006 manteve a trajetória de queda nas áreas rurais, e caiu ao nível mais baixo da série nas grandes regiões metropolitanas. Segundo a FGV, 14% da população nas grandes cidades é de miseráveis, contra 16,2% em 2005.
“Como somos um país metropolitano, essa redução da miséria nas grandes cidades é muito relevante. As políticas dos anos 1990 foram pautadas para a pobreza no meio rural. Nos últimos anos, com o crescimento do emprego, a miséria metropolitana diminuiu”, disse Neri.
A pesquisa da FGV foi feita a partir da compilação de dados da Pnad de 2006 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o órgão, foram abertos, entre 2003 e 2006, 8,7 milhões de postos de trabalho. Neri acredita que neste ano o número passará de 10 milhões.
A pesquisa da FGV mostrou também que, desde 1982, em anos eleitorais, a miséria cai 7,6%, mas no ano seguinte aumenta 3,7%.
“Acho que 2007 vai quebrar esse paradigma, porque o cenário econômico é positivo e as políticas tiveram continuidade, mas fica claro que no Brasil usa-se políticas sociais em sintonia com o calendário eleitoral”, observou o economista.
Segundo a pesquisa, a miséria no primeiro mandato do governo Lula caiu 27,7%, em comparação a uma queda de 23% no primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Pelos cálculos de Neri, seria possível erradicar a miséria no Brasil se cada brasileiro doasse ao governo, mensalmente, de forma vitalícia, cerca de R$ 12.
Fonte: Reuters

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