31/08/2007 – O clima continua tenso em Foz do Iguaçu, onde educadores permanecem mobilizados contra o abuso de poder da polícia e medidas tomadas pelo Núcleo Regional de Educação que abriu processo administrativo para punir professores e funcionários de escola na tentativa de abafar os protestos contra a transferência de docentes que trabalhavam no Colégio Estadual Barão do Rio Branco. Apesar da greve ter sido suspensa em assembléia realizada hoje cedo, a categoria prepara várias atividades para manter a luta pelo respeito aos educadores.
Nesta sexta-feira, 31/08, houve um novo desdobramento da crise. Quatro educadores foram impedidos de trabalhar por determinação da chefia do Núcleo Regional de Educação. Eles estão proibidos de desenvolver suas funções na escola por 30 dias.
Jaime Farherr, professor de história e filosofia, Rosineide Fabrício, professora de geografia, Graciela Perez, professora de espanhol e a bibliotecária Kátia Ronsani foram afastados.
Os quatro educadores suspensos pretendem entrar na justiça com um mandado de segurança pedindo a suspensão do afastamento e a volta imediata ao trabalho. Os três docentes afastados já foram até substituídos por outros professores indicados pela chefia do núcleo, mas a vaga da funcionária de escola permanece vazia.
Na assembléia realizada hoje, 31/08, às 8h30 no Colégio Estadual Barão do Rio Branco, representantes do núcleo e policiais da Patrulha Escolar acompanharam as discussões feitas por professores, estudantes e pais de alunos. A assembléia votou pelo fim da greve que já durava 9 dias e tinha sido motivada pela transferência arbitrária de professores.
Durante este período as aulas foram suspensas e foram realizadas várias assembléias junto à comunidade, que também se manifestou revoltada contra as transferencias e agressões sofridas pelos professores professores Luiz Carlos de Freitas, Ivanir Glória de Campos, Márcio André Braga do Rosário e Ana Marlene Giacomoni. Os professores agredidos durante a ação da polícia foram Jaime Farherr e Luiz Carlos de Freitas. Luiz está com duas costelas quebradas.
Um advogado de Foz do Iguaçu e dois advogados da assessoria jurídica da APP-Sindicato de Curitiba cuidam do caso. Além de quatro mandados de segurança individuais para anular as penalidades previstas no processo administrativo e pedido de retomada imediata ao trabalho, também foi elaborado um documento solicitando o cancelamento das transferências enviado diretamente ao Secretário de Estado da Educação, Maurício Requião, que se comprometeu em analisá-lo.
Em Foz a expectativa é grande. Estudantes filmaram o momento em que os policiais da Patrulha Escolar entraram na escola no dia 28 de agosto. No tumulto, alguns alunos foram atingidos por estilhaços de vidro e ficaram bastante assustados com a truculência dos policiais. Segundo testemunhas, 12 viaturas participaram da desocupação do colégio.As imagens foram exibidas no debate realizado no Dia 30 de Agosto no plenário da Câmara Municipal de Vereadores, juntamente com o documentário dos 60 anos da APP-Sindicato. Chocados com o registro feito pelos estudantes, vários pais de alunos, professores e vereadores se emocionaram.
O prefeito de Foz do Iguaçu, Paulo Mac Donald Ghisi, foi procurado por uma comissão para se manifestar sobre o assunto e se comprometeu a apoiar a moção de repúdio votada pela câmara de vereadores, que devem se manifestar contra o abuso de poder policial. Enquanto isso, as manifestações populares continuam.
Mesmo com duas costelas quebradas, o professor Luiz Carlos de Freitas, que há 11 anos trabalha no Colégio Barão do Rio Branco, tem participado das mobilizações. Ele conta que estava algemado quando foi agredido por cinco policiais dentro do fórum da cidade. Os colegas estão revoltados.
Para o professor Jaime Farherr, “foi um absurdo em cima do outro, não é assim que as coisas funcionam. Acabar com o direito de greve usando a polícia é inconstitucional. Truculência tem sido a palavra de ordem da atual direção do núcleo”, denuncia ele.