APP solicita revogação da transferência dos professores do Colégio Barão

Sindicato condena prisão de educadores e questiona medida da Secretária da Educação
Enquanto o presidente da APP-Sindicato, José Lemos, participava de reuniões com parlamentares de Foz do Iguaçu na Assembléia Legislativa do Paraná, dois professores do Colégio Estadual Barão do Rio Branco de Foz do Iguaçu foram agredidos e presos na tarde de hoje. Lemos entrou em contato com os deputados com o objetivo solucionar o problema da punição dos professores Ivanir Glória de Campos, Luiz Carlos de Freitas, Márcio André Braga do Rosário e da diretora Ana Marlene Giacomoni. Desde 22 de agosto a escola está em greve por tempo indeterminado e o intuito da paralisação é o de pressionar pela revogação da portaria da SEED, de 20 de agosto, que determinou o remanejamento dos quatro professores para outros colégios, por um período de dois anos.
De acordo com Lemos, a transferência dos professores é uma medida arbitrária. “Não há amparo legal no estatuto do Servidor Público, do Magistério e no do Plano de Carreira do Professor e nem na Constituição Federal. A APP-Sindicato, além de providências administrativas também está tomando medidas judiciais cabíveis para resolver essa questão. Um pedido formal também será encaminhado para o secretário”, explica o presidente do sindicato.
Lemos disse ainda que os deputados com quem manteve contato na Assembléia fizeram um pronunciamento em favor dos professores. E estes também pediram ao líder do governo para que reveja essa questão. Sobre a prisão dos professores, o presidente disse que condena a ação policial. “Nós condenamos e somos contrários a qualquer tipo de violência. Não é com violência que se resolve os problemas. Repudiamos a agressão dos policiais para com os professores Jaime Farherr e Luis Carlos Freitas”, declara.
Segundo informou a professora Tanea Maria Costa de Jesus, do Núcleo Sindical da APP de Foz do Iguaçu, os professores foram presos hoje, por volta das 14 horas. “A chefia do Núcleo de Educação chegou na escola com 12 carros da Rotan e mandou que prendessem os professores. Os funcionários, pais e demais professores tentaram impedir, dizendo para a chefia não fazer isso na frente dos alunos. Então, convidaram o professor Luis Carlos para ir a sala dos professores. Lá, cinco policiais o jogaram no chão, agrediram e o algemaram. O professor Jaime, ao socorrê-lo, também foi agredido e algemado”, disse.
Entenda o caso

No final de 2005 e início de 2006 o conselho escolar denunciou uma série de irregularidades envolvendo a administração do colégio. Depois de muita mobilização, com denúncias na imprensa, abaixo-assinados e etc, foi aberto processo administrativo para investigar a gestão 2004-2005 da então diretora Márcia Regina Egídio. Os professores citados acima também tiveram que responder processo administrativo, tendo acusações de ordem disciplinar como “ter feito manifestação pública chamando a imprensa” e outras coisas do gênero. As denúncias partiram do conselho escolar que é composto por representantes de pais, estudantes, professores e funcionários, mas os quatro professores citados acima é que tiveram de responder processo, embora nem todos fossem do conselho. Em síntese, a SEED puniu aqueles que denunciam irregularidades.
No final de 2006, após comprovar as irregularidades nas contas do colégio, a SEED demitiu a diretora. A partir daí, quem assumiu a direção foi a então diretora auxiliar Ana Marlene Giacomoni. Nos últimos dias a comunidade escolar foi surpreendida com o afastamento do colégio dos quatro professores acima mencionados.

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