Funcionalismo paulista vai às ruas e aponta data de paralisação

27/08/07 – Funcionalismo paulista vai às ruas e aponta data de paralisação, por Luiz Carvalho – CUT/SP

Mais de 30 mil servidores públicos lotaram a Praça da Sé, no centro de São Paulo na última sexta-feira, dia 24, para dizer não à avaliação de professores, à política de gratificação e bonificação e exigir do governo José Serra (PSDB) um aumento salarial decente que respeite os anos de dedicação ao ensino. “Eu me aposentei, mas precisei voltar ao trabalho porque o que ganho não é o suficiente para me sustentar”, afirmou uma manifestante – a professora Francisca Massoni Dantas de 67 anos e que há 49 anos exerce a profissão.
O grande destaque da mobilização foi a união de entidades representantes dos diversos níveis hierárquicos dos ensinos médio e fundamental para cobrar uma nova forma de administrar a educação, que acumula índices negativos como 40% de alunos não alfabetizados, até 8 anos, apenas na Grande São Paulo.
Além dos aplausos de pessoas que trabalham nos prédios ao redor das vias pelos quais os manifestantes passaram, uma chuva de papéis picados, na esquina da Avenida Libero Badaró com a Rua São Bento e diante da sede da Apeoesp, aumentou o ânimo da marcha que seguiu pela Praça da República até a sede da Secretaria de Educação do Estado.
MotoSerra não quer dividir o bolo
Parte da Campanha Salarial Unificada do Funcionalismo Público, o ato reuniu, além da Apeoesp-CUT, 19 Sindicatos Cutistas, o Fórum das Seis, a Representação Coletiva da Polícia Paulista, parlamentares e outras centrais sindicais.
Secretário Nacional de Relações Internacionais da CUT, João Felício destacou: “não consigo dar nenhum exemplo de conquista em São Paulo que tenha acontecido sem greve”. Ele acrescentou. “Parte da imprensa diz que fazemos greves contra a população mais pobre, mas não lembra dos funcionários da escola e dos alunos quando no dia-a-dia, quando precisam enfrentar salas superlotadas e falta de material de trabalho. O atual grupo político paulista está no poder desde 1978 e ano após ano nos impõe arrocho salarial. Vamos precisar do apoio de diversos ramos e categorias que não se resume em subir no caminhão de som e falar, mas também exige apoio na mobilização para fazermos cumprir nossa pauta de reivindicações”.
Roberto Leão, Secretário Geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)-CUT, lembrou de um movimento que tomou a mesma Praça há pouco tempo. “Estamos na Sé porque somos incansáveis. Estamos, sim, cansados de ver que a escola pública de qualidade não chega até a população paulista. Não aceitamos a culpa que o governo de São Paulo quer jogar sobre nós pelas péssimas condições de ensino com as quais convivemos. Ao término dessa gestão tucana serão 16 anos de sucateamento do setor público”, criticou.
Da Sé à República
Antes de partir da Sé, local da concentração da mobilização, os manifestantes, de mãos dadas, cantaram o hino nacional. Quando o carro de som entrou na Rua Boa Vista, sede de diversas secretarias estaduais, dentre elas a do Transporte e a da Gestão pública, Paulo Pasin, vice-presidente do Sindicato dos Metroviários-CUT mandou o recado. “Esse lugar representa um ataque ao direito de greve. Daqui partiu as ordens para a demissão dos nossos companheiros, um meio de intimidar os servidores públicos. A educação mostrará como se desmonta um regime que não dialoga”, ressaltou.
Secretário de Finanças do Sindsaúde-CUT, entidade que precisou lutar contra a intervenção ilegal da gestão Serra, Ângelo D`Agostini sinalizou o barril de pólvora que se forma em São Paulo. “Já tivemos manifestações de saúde, transporte, habitação e segurança. Não vamos parar enquanto não revertermos o processo de precarização, porque sabemos que isso faz parte de um projeto de privatização. Nós ainda estamos na luta e aguardamos a resposta para nossas exigências. Se ela não vier cruzaremos os braços novamente”, disse.
Aula e assembléia
Por volta das 18h, o ato público chegou ao fim com o gosto de parte do dever cumprido.
O próximo passo será uma aula aberta, no dia 29/08, em plena Praça da República, quando os trabalhadores da categoria usarão a criatividade e o bom-humor para enaltecer os problemas que enfrentam. Depois, uma assembléia unificada, no dia 14/09, apontará o início da greve, caso o governador não resolva dialogar. Agora é com a MotoSerra tucana.

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