13/08/2007 – Mulheres indígenas e negras da América Latina e do Caribe sofrem tríplice discriminação por sexo, raça e classe social na política e no trabalho, afirmaram participantes do painel ‘Cidadania e participação política das mulheres indígenas e afrodescendentes’, durante a X Conferência Regional sobre a Mulher, que acontece em Quito até hoje. A dirigente indígena guatemalteca Otilia Lux de Cotí garantiu que ‘desde nosso ponto de vista, a luta pelo direito à participação da mulher está unida à luta pelo direito à participação do povo indígena’.
‘Somos discriminadas pelos Estados, pelos homens e muitas vezes pelas outras mulheres, por isso, para corrigir as desigualdades históricas devemos reestruturar o Estado e construir uma sociedade igualitária’, afirmou Cotí, ex-ministra da Cultura e dos Esportes da Guatemala. Assim, ao exigir cotas de participação é necessário também especificar as cotas de mulheres indígenas e afrodescendentes, recomendou. ‘Queremos resgatar a democracia, e para isso devemos recriá-la desde nossa visão. Uma democracia desde a América Latina só pode ser intercultural’, ressaltou.
A dirigente afrobrasileira Maria Inês Barbosa afirmou que machismo e racismo estão na mesma base de construção dos Estados nacionais da América Latina do Caribe. ‘Para eliminar o machismo e o racismo é preciso mudar a sociedade. Muitas vezes em fóruns internacionais mudamos as palavras para não mudar a sociedade. Não podemos continuar com isso, devemos mudar a sociedade’, afirmou. ‘Não nos enganemos, muitas vezes os documentos que surgem dessas reuniões são uma coisa, mas a realidade das mulheres indignas e afrodescendentes é outra, porque também somos as mais pobres’, afirmou.
A indígena miskita nicaragüense Margarita Antonio disse que é necessário que os Estados e as agências das Nações Unidas continuem trabalhando em uma maior formação das mulheres que, por sua vez, devem repassar o conhecimento adquirido a quem permanecer nas comunidades para encurtar distâncias que também existem entre diferentes setores da população feminina.
Do painel, organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher e pela Secretaria do Fórum Permanente de Assuntos Indígenas, foi acompanhado por mais de cem representantes de diversas organizações regionais. As indígenas presentes divulgaram o manifesto ‘Pela construção de um Estado plurinacional’.
‘Apesar dos avanços quantitativos e qualitativos, da metade da década dedicada a conseguir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e da Segunda Década dos Povos Indígenas do Mundo, enfrentamos uma situação crítica agravada pela aplicação crescente de políticas macroeconômicas que desconhecem os direitos coletivos de nossos povos’, diz o documento. Também assegura que ‘o avanço dos direitos humanos das mulheres indígenas está vinculado à luta para proteger, respeitar e exercer tanto os direitos coletivos dos povos quanto sua unidade baseada em seus territórios, recursos naturais, conhecimentos tradicionais coletivos e o pleno reconhecimento das instituições de autogoverno’.
Fonte: Adital