Cobertura da tragédia em Congonhas é exemplo de antijornalismo, diz Dr. R

:: ‘A pressa em culpar o governo ultrapassou os limites da leviandade’, afirma deputado federal, que critica o uso político do acidente. ::
23/07/2007 – A cobertura feita nos últimos dias pela imprensa brasileira a respeito da queda do Airbus-A320 da TAM, ocorrida na noite da última terça (17/7), é um exemplo ‘típico’ de antijornalismo. A avaliação é do deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), vice-presidente do Parlamento do Mercosul.

‘Ao invés de lamentar a tragédia, cobrar a apuração de suas causas e listar as diversas eventuais hipóteses, a mídia desde o início elegeu a pista de Congonhas como o motivo do desastre’, observa Dr. Rosinha. ‘A pressa em culpar logo o governo ultrapassou os limites da leviandade.’

Dr. Rosinha critica o que classifica como ‘precipitação’ na busca por explicações e culpados. ‘É preciso investigar e considerar todas as hipóteses possíveis. O que é inadmissível é o uso político da tragédia, que, no caso, foi inclusive instantâneo.’

Jornalistas como Luiz Carlos Azenha, Mino Carta, Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif, entre outros, já fizeram uma série de críticas a respeito da cobertura do desastre pela imprensa.

‘A edição do ‘Jornal Nacional’ do dia 18 de julho deve ser gravada e guardada’, analisa o jornalista Mauro Carrara no site da revista Novae. ‘Em termos de distorção nada fica a dever àquela que reproduziu seletivamente trechos do último debate eleitoral de 1989.’

Casos de antijornalismo

Logo após o acidente, o portal UOL publicou matéria da agência Estado na qual um ‘consultor’ em aviação culpa a Infraero por um ‘assassinato coletivo’. Conforme a matéria, a entrega da obra antes da realização das ranhuras ‘foi uma irresponsabilidade assassina’.
Ontem (19/7), o jornal ‘Folha de S.Paulo’ publicou -com chamada na capa- um artigo de um psicanalista que escreve o seguinte: ‘gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, ‘governo assassina mais de 200 pessoas”.

‘A maior causa de mortalidade no setor aéreo brasileiro é um mal implacável chamado incompetência’, escreveu em seu blog o jornalista Josias de Souza. ‘[A incompetência do governo] já levou à cova pelo menos 342 cadáveres.’

Em seu blog, Ricardo Noblat chegou a afirmar o seguinte: ‘Por que [Lula] sumiu de circulação evitando esbarrar em jornalistas? Está com medo de quê? O comportamento do presidente soa como uma confissão de culpa’.

Em editorial ontem (19/7), o jornal ‘O Estado de S.Paulo’ decretou que ‘eventuais falhas técnicas, ou do piloto […] são dados acessórios’. Assim sentencia o editorial: ‘As causas [do acidente] são a incompetência, desídia, leviandade, ganância e corrupção presentes no sistema de transporte aéreo brasileiro. Perto desses fatores estruturais, eventuais falhas técnicas, ou do piloto, na origem da catástrofe de anteontem em Congonhas são dados acessórios’.
Fonte:www.drrosinha.com.br

POR