13/07/07 – O programa “Casseta e Planeta” veiculado pela Rede Globo de Televisão, no último dia 11 de julho, apresentou um quadro em que a atriz Paola Oliveira representa uma professora de Biologia. A professora denominada Pâmela realizaria “programas sexuais” como forma de complementar seu rendimento salarial, visto os baixos salários dos professores em nosso país.
A forma infeliz utilizada pelo quadro “humorístico” para representar a situação dos professores e professoras em nosso país deixou indignados os educadores de várias regiões do país, inclusive do nosso Estado. A APP – Sindicato recebeu durante estes dias, uma série de ligações e e-mails de educadoras e educadores de condenação e de indignação ao conteúdo apresentado no programa. A entidade se solidariza ao sentimento externado nestes e, sem entrar no mérito do trabalho de comercialização do corpo, repudia a forma de representação da professora no referido quadro humorístico.
A APP-Sindicato , ao longo de sua história, tem realizado uma árdua e nobre luta em defesa da valorização do trabalho docente, tanto em termos objetivos quantos subjetivos. Assim, tem se somado com garra à luta dos educadores de todo país pela melhoria das condições de trabalho e de salário dos educadores. Tem atuado no sentido de resgatar o valor sócio-cultural e político do trabalho docente. Para tanto, ao longo da história tem investido em campanhas, em materiais específicos para pais e alunos a fim de destacar a importância dos profissionais de educação.
Este esforço, somado ao trabalho sério e dedicado de milhares de educadores paranaenses pode cair por terra diante de “quadros infelizes” como este apresentado pela Rede Globo de Televisão.
Qual a visão da profissão do professor, do funcionário de escola construída para a nossa sociedade e, especialmente para os nossos jovens estudantes. Quem serão os professores do amanhã? O problema de baixos salários é um problema exclusivo dos professores ou do conjunto das pessoas que vivem do próprio trabalho? Estas são questões fundamentais para uma análise mais crítica sobre a representação do professor em nossa sociedade.
Recentemente, participei de uma atividade com estudantes de cursos de licenciaturas na Universidade Federal do Paraná. Muitos daqueles já haviam definidos que profissionalmente poderiam fazer muita coisa, menos ser professor. Porém, ao final da conversa que estabeleci naquele grupo percebi que vários haviam mudado de opinião. Aqueles estudantes perceberam que a situação não era tão trágica assim, e o que julgo mais importante, perceberam que historicamente há movimento social, muito gente séria, atuando de forma coletiva para que as condições de existência dos educadores e do conjunto dos trabalhadores brasileiros seja melhorada. E que além do mais, ele será mais um soldado neste bom combate. E lutar, ousar sempre vale a pena.
Nós educadores, junto aos demais trabalhadores somos sujeitos da história e, embebidos nas teias contraditórias da existência humana lutamos para a superação do atual modelo econômico brasileiro e internacional. Modelo este, produtor de injustiças e de uma enorme desigualdade social.
Gostaríamos de ver os meios de comunicação junto nesta luta. Que bom seria que a Rede Globo de Televisão abrisse no seu horário nobre, espaços para a valorização da educação pública, para a importância do trabalho docente (não a “dos amigos da escola”) e para a divulgação das lutas dos trabalhadores, entre eles os da educação, pela superação da ordem econômica vigente causadora de exclusões. Infelizmente, parece que isto não está no horizonte da referida Rede.
Enfim, a veiculação da personagem professora no quadro humorístico “Casseta e Planeta” não contribui em nada para a melhoria da realidade da educação em nosso país. Muito pelo contrário. A brincadeira de mau gosto só reforça estigmas e estereótipos que desvalorizam o valor social da profissão docente.
E quanto a nós! Só nos resta um caminho. Continuar lutando, Continuar ousando!
Luiz Carlos Paixão da Rocha
Diretor de Imprensa da APP-Sindicato