Educador Miguel Arroyo defende mudança no currículo escolar

13/07/2007 – A escola precisa estar mais próxima dos movimentos sociais para promover a mudança no currículo e nos projetos pedagógicos. Essa é a opinião do doutor em educação e escritor, Miguel Arroyo, que esteve em Curitiba recentemente, durante ciclo de debates do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Paraná (APP-Sindicato).
Segundo ele, as conquistas dos trabalhadores do movimento docente constroem novas identidades e currículos, por contribuir para a redefinição da escola. O currículo afeta muito os professores. Ele é um pouco a espinha dorsal da escola por condicionar o que ensinamos e como ensinamos.
O Ministério da Educação (MEC) lançará em breve uma série de textos com objetivo de atuar, sobretudo, em cinco eixos considerados nucleares para realizar indagações como: o processo de construção de novas identidades docentes afeta em que medida os currículos? Se os professores são, hoje, mais qualificados e têm mais autoria sobre suas práticas, fariam um currículo como o que temos?’, conta Arroyo.
Ainda de acordo com o escritor, os currículos organizam o conhecimento por disciplinas, áreas e recortes, sem levar em consideração, que os alunos não são os mesmos. ‘A forma de viver a infância e adolescência mudou muito. Violência, transgressões e indisciplina inquietam profundamente as escolas e isso tem a ver com o que é ensinado. Será que as nossas crianças e jovens estão desinteressados pelo conteúdo escolar? Creio que essa falta de interesse é causada pelos pratos do conhecimento oferecidos no currículo, por isso é necessário dar importância à formação ética do educando. Nós podemos mudar isso se atuarmos de forma mais coletiva por meio da realidade e dos aspectos da escola vigente. As faculdades têm de preparar os profissionais para atuar com a diversidade cultural, de raça e de gênero presente na nossa sociedade’, ressalta o educador.
Arroyo fala também de mudanças ocorridas no sistema de avaliação. ‘As transformações existem, mas ainda ensinamos o que vamos avaliar e privilegiamos as áreas do conhecimento que estarão na prova. Precisamos de currículos mais totalizantes e nos desvincular da concepção da atual cultura da avaliação. A sociedade mudou muito nas últimas décadas, hoje ela é mais democrática e sensível à diversidade ética e racial.
Agora a escola precisa seguir esses passos, ir mais depressa, assim como os movimentos sociais, que colocaram, por exemplo, na cultura política social, o respeito e a igualdade de direitos entre homens e mulheres, a história e a cultura negra. Todos esses temas têm de estar no currículo, mas, infelizmente, a escola ainda é muito lenta’, explica.
O doutor em educação enfatiza que para mudar a mentalidade do currículo em vigor, teríamos de enxertar na ação educativa o que há de mais vivo na sociedade. ‘Para a escola se transformar, precisa se vincular e radicalizar nos avanços dos movimentos docentes, e os sindicatos têm um papel fundamental para garantir o direito do trabalhador a qualificar-se como sujeitos de cultura, intelectuais e cheio de valores. Só assim podemos unir forças e dar uma nova dinâmica para currículo, escola, alunos, professores e sociedade’, conclui.
Fonte: Site Nota 10

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