Conferência de Igualdade Racial da CUT debate situação do negro no mercad

05/07/2007 – A população negra ainda enfrenta grandes dificuldades para se inserir no mercado de trabalho, além disso, os negros trabalham mais e ganham menos que a população branca. Estas constatações marcaram a abertura da I Conferência Estadual de Igualdade Racial da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Paraná, realizada na manhã desta quinta-feira (5), no Centro de Convenções de Curitiba. As dezenas de pessoas que participaram do evento tiveram a oportunidade de ver as explanações do economista Cid Cordeiro, do Dieese, além da professora Tânia Lopes (IPAD) e Regina Canto (DRT).
Durante sua fala, Cordeiro destacou que a região Sul é a que possui a menor população negra do Brasil. O percentual desta no Paraná, por sua vez, chega a 25,76% (o maior da entre os Estados do Sul). Apesar disso, segundo o economista, deste universo de cidadãos negros, apenas 25,3% faz parte da força de trabalho ocupada. “Estes dados mostram a discriminação que esta parcela da população sofre, tanto na inserção, quanto nas condições de trabalho e remuneração”, afirmou Cordeiro, explicando que os números são relativos aos anos de 2005 e 2006.
Para o técnico do Dieese, os dados levantados pelo mapa que traçou sobre a situação do negro no mercado de trabalho, brasileiro e paranaense, jogam por terra o discurso que vigorou no Brasil até o século XX: o da ‘democracia racial’ do país. “O mercado de trabalho é uma das esferas em que se distingue com mais clareza a eficiência dos mecanismos discriminatórios no paísl”, salientou. Para respaldar a informação, o economista também apresentou números de pesquisa do Dieese, de 2001, realizada em seis Estados, que apontou que 55% dos desempregados são negros.
No segundo momento da Conferência, quando entidades sindicais apresentaram suas experiências no combate a discriminação racial no Trabalho, o professor Luiz Carlos Paixão, da APP-Sindicato, falou sobre as iniciativas da entidade nesta área. “A APP se preocupa com esta temática das relações raciais e tem atuado, de forma organizada, desde 1993. Neste ano foi criado um coletivo, de educadores, com objetivo de refletir sobre as relações de raça, gênero e classe”, explicou.
Segundo Paixão, os coletivos têm levado às escolas a importância da construção de uma sociedade livre dos preconceitos. Além disso, o Coletivo de Igualdade Racial tem atuado principalmente no sentido de implementar a lei 10.639/03, que determina, entre outras coisas, que as escolas de ensino fundamental e médio, das redes pública e particular de todo o país, incluam no currículo a temática da cultura e história afro-brasileiras.

POR