Carta de crianças quilombolas reivindicará educação e respeito aos sabere

04/07/2007 – O que pensam as crianças quilombolas sobre políticas públicas? O assunto é de adulto, mas são elas, as crianças, as principais vítimas da falta de melhorias, por exemplo, na educação. A conscientização começa cedo. Nas reuniões de comunidade dos quilombos, há sempre crianças acompanhando os pais, conta a articuladora política da coordenação Nacional de Articulação das comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Josilene Brandão.
Crianças e adolescentes, de 7 a 18 anos, vindas de 60 comunidades quilombolas, se reuniram esta semana em Brasília para trocar as diferentes experiências e discutir políticas. O Quilombinho – Primeiro Encontro Nacional de Crianças e Adolescentes – terminou ontem (3).
No último dia de encontro, as crianças apresentaram uma carta com suas próprias propostas de políticas públicas. Escola é o que pede Daniela Silva Gomes. Ela tem 14 anos e vive na comunidade Serra da Guia, do município Poço Redondo, em Sergipe (SE).
‘A escola só tem duas salas pra jardim de infância até a quarta série. E não tem onde as crianças brincarem, não tem quadra de esporte. Material didático os pais têm que comprar. Dava pra fazer uma quadra de esporte pras crianças brincarem, crescer mais o colégio e os professores, que só tem dois pra isso tudo”, reclama a menina.
Daniela gostaria também que o governo abrisse o posto médico. “Tem um posto de saúde que foi feito, só que não tem médico, nem remédio. É fechado o postinho porque não tem renda para isso”.
O documento elaborado pelas crianças pede ainda políticas públicas diferenciadas que respeitem os saberes tradicionais e a cultura local. Ele só será divulgado hoje (4), no Senado. A Carta será enviada também a organismos internacionais, órgãos do governo e organizações não-governamentais.
“O que esperamos é que o Estado reconheça a identidade dessas crianças, respeite e que se trabalhe políticas específicas porque mesmo tendo na pauta de governo políticas para as comunidades quilombolas, é preciso ter o recorte da criança e do adolescente”, afirma a articuladora política da Conaq, uma das organizadoras do encontro juntamente com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o governo federal.
Enquanto a turma de quilombinhos discutia as políticas públicas, Amanda Martins fotografava tudo. Aprendeu as primeiras lições no encontro. “Eu aprendi muito. Eu não sabia tirar foto, mas agora já aprendi. Se tiver sol, você fica de lado e bota uma luz pra ficar da mesma cor”, ensina.
E agora, a menina de 11 anos, da comunidade Conceição das Crioulas, na cidade de Salgueiro, em Pernambuco (PE), tem um novo sonho. “Eu vou tentar praticar mais pra aprender mais”. Quando crescer, vai ser fotógrafa? “Com certeza.”
Fonte: Agência Brasil

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