14/06/2007 – Aprender a ler e escrever em 75 dias, empregando aspectos do universo cotidiano dos alunos e usando como meios de ensino uma televisão e um aparelho de DVD. As aulas são sempre em turma e podem ser dadas ao ar livre ou nas casas dos aprendizes.
O método pedagógico, que mescla o programa cubano de alfabetização Yo, si puedo e as teorias do educador pernambucano Paulo Freire, começa a ser implementado em julho nos assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) em todo o país.
O lançamento do projeto ocorreu esta noite, com a campanha Todas e Todos Sem Terra Estudando, durante o 5º Congresso Nacional do MST.
Fátima Ribeiro, uma das coordenadoras do movimento no Rio Grande do Norte, diz que a organização fez um convênio com Cuba para ensinar jovens e adultos sem-terra a ler e escrever.
Além do programa de alfabetização, o governo cubano vai ceder pedagogos para capacitar os monitores brasileiros que serão responsáveis pelas aulas. Esses profissionais também vão orientar as dicussões em classe.
As aulas serão ministradas a partir de programas de televisão. Segundo Ribeiro, eles são uma espécie de mini-novela didática, cujos capítulos retratam o cotidiano específico de comunidades sem-terra, uma mistura de técnicas cubanas de alfabetização e o método Paulo Freire.
No Rio Grande do Norte, por exemplo, a idéia é começar com 100 cursos no estado, com 15 alunos cada. A coordenadora conta que o MST já conseguiu 26 aparelhos de DVDs.
‘A educação do trabalhador rural é uma luz que se dá ao homem do campo para que ele possa enxergar sua realidade e lutar para melhorá-la. Se queremos democratizar o acesso à terra e se queremos cidadania, isso passa pela educação’, diz Ribeiro. ‘Um povo culto é um povo livre. Queremos, no Brasil, um territorio livre do anafalbetismo”.
Fonte: Agência Brasil