Levantamento mostra que alunos cotistas da UFPR têm desempenho acadêmico

02/05/2007 – Levantamento feito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostra que os alunos de cotas sociais e raciais têm desempenho acadêmico equivalente e, em alguns casos até superior, que os alunos não cotistas. O estudo foi apresentado ontem, durante coletiva à imprensa, pelo reitor Carlos Augusto Moreira Júnior; pela pró-reitora de Graduação e Ensino Profissionalizante, Rosana Albuquerque de Sá Brito; e pela presidente de comissão criada para acompanhar o desempenho dos cotistas, Liliana Porto.
‘Para nós foi uma surpresa’, afirma Liliana, ao mencionar que a universidade não esperava que o resultado fosse tão favorável aos cotistas. Moreira Júnior criticou os que, na época da implantação do programa, disseram que os estudantes de cotas não teriam condições de acompanhar o ritmo de estudos dos demais. ‘Vimos agora que essa informação era falsa’, disse.
Pelo resultado obtido, observa o reitor, a universidade não formará ‘profissionais de segunda linha’. Para ele os cotistas têm plenas condições de se graduarem e conquistarem espaço no mercado de trabalho. A pró-reitora Rosana Albuquerque acrescenta que, estatisticamente, não há grandes diferenças entre os estudantes que ingressaram por cotas e os demais.
O levantamento se refere aos anos de 2004 e 2005. Para se ter uma idéia, o desempenho de um cotista social, aluno oriundo de escola pública, foi superior ao de um que ingressou na UFPR sem as cotas, no quesito aprovação em disciplinas obrigatórias do primeiro ano. No total, 77% dos não cotistas foram aprovados, mas o cotista social ficou com 78% e o racial 70%. ‘Não há diferença significativa’, observa Carlos Moreira.
Outro exemplo: as notas médias das disciplinas. O não cotista ficou com 6,1 o cotista social com 6,3 e o racial 5,6. Quanto ao Índice de Rendimento Acadêmico (IRA), dos anos de 2005 e 2006, o não cotista ficou com 62, o cotista social com 63 e o racial 53. No item periodização – quando o aluno está no ano certo, sem trancamentos – 49% dos não cotistas estão nesta situação. Os cotistas sociais estão melhores, com 52% e os raciais nem tanto, com 39%.
A UFPR também registrou que há 72% dos alunos não cotistas desperiodizados e, dos cotistas, 69%. No quesito evasão outra surpresa: nos dois primeiros anos da aplicação das cotas, houve desistência de 11,6% de alunos não cotistas e apenas 6% de cotistas sociais e 4% dos raciais. ‘Dá a impressão de que os que não entram por cotas não valorizam o ingresso na universidade’, avalia o reitor.
O desempenho dos cotistas também surpreendeu no IRA em alguns dos cursos mais concorridos da universidade – Medicina, Direito, Arquitetura e Urbanismo, Administração, Publicidade e Propaganda e Jornalismo. Neste item os não cotistas têm 74, os cotistas sociais 71 e os raciais 70. Em alguns cursos menos concorridos – Engenharia Cartográfica, Estatística, Filosofia, Física, Gestão da Informação e Matemática Industrial – o desempenho também surpreendeu: os cotistas sociais conseguiram 51 e os não cotistas 45. Os cotistas raciais ficaram com 35.
Para o reitor a política de cotas foi uma ação correta. ‘Estamos no caminho certo’, avalia. Do total de vagas ofertadas pela UFPR, 20% são destinadas aos cotistas sociais e 20% aos raciais. Apesar disso, diz que há muita desinformação quanto à reserva de vagas. Moreira Júnior diz que, em uma pesquisa feita no maior colégio público do Paraná, o Colégio Estadual, distante apenas algumas quadras da Reitoria, apenas 20% dos alunos do ensino médio conheciam como funcionava a política de cotas. ‘Agora imaginem os estudantes das periferias e os das cidades do interior do estado’.
Com o objetivo de melhorar esse percentual a UFPR pretende intensificar a visita aos colégios públicos do estado para divulgar o programa. Em 2004 havia na universidade 7,6% alunos considerados pardos e 1,7% negros. Em 2005 esse número subiu para 16,85% de pardos e 3,72% de negros. Em 2006 e 2007 esses números recuaram, em razão da mudança de um índice na hora da classificação do vestibular. Esse índice poderá ser alterado. No entanto a proposta deverá ser submetida, em breve, ao Conselho Universitário.
Fonte: Site Nota 10

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