11/04/2007 – Cerca de 200 camponesas, extrativistas, trabalhadoras domésticas e donas-de-casa reuniram-se ontem, dia 10, em Brasília, no Fórum Paralelo Itinerante sobre Previdência Social. O evento aconteceu em paralelo à terceira reunião do Fórum Nacional de Previdência Social. As militantes exigiam participação no fórum organizado pelo governo, mas o acento foi negado.
O secretário Nacional da Previdência Social, Helmut Schwarzer, afirmou, à época, que as mulheres só poderiam compor o quadro do fórum como observadoras, não podendo se manifestar durante as reuniões. Isso, segundo explicou, porque a estrutura de formação do fórum só os segmentos dos trabalhadores, governo e empregadores.
‘Nessa estrutura tripartite os movimentos sociais têm que ser representados por meio tanto dos trabalhadores como dos empregadores. Então, assim como as mulheres, outros movimentos sociais têm que buscar a discussão por intermédio, por exemplo, das representações dos sindicatos dos trabalhadores’, recomendou.
O objetivo do movimento das mulheres é reivindicar a participação no Fórum da Previdência, organizado pelo governo federal. Elas acreditam que com a participação no Fórum elas possam debater assuntos como direitos previdenciários e a inclusão social das mulheres que estão fora do sistema de seguridade social.
A representante do Comitê Político da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Natália Mori, salientou que esse grupo de mulheres tem que estar incluído no debate da Previdência Social. Atualmente, das 40 milhões de pessoas que não têm cobertura da previdência social no país, 70% são mulheres, segundo a AMB. O dado justifica a necessidade de propostas firmes, segundo a AMB, para que as mulheres sejam incluídas nesse sistema de proteção social.
A representante do Movimento das Mulheres Camponesas, Justina Ciman, disse que é preciso aprofundar o debate sobre a previdência pública, universal e solidária. Ela lembrou que várias pessoas estão excluídas dessa previdência, principalmente as mulheres. ‘Nós queremos mostrar para o governo e para a sociedade que nós precisamos debater a inclusão social, a distribuição de renda e a distribuição da riqueza, porque o Brasil é um país rico, com muita concentração de renda’.
No final do encontro será formalizado um documento, chamado “Carta Brasília”, mostrando a situação dos excluídos do sistema previdenciário. O documento também apontará propostas sobre as reivindicações das mulheres que estão fora do sistema, para a inclusão social na previdência. A Carta Brasília deverá ser entregue aos representantes do governo no final do Fórum Nacional de Previdência Social, previsto para terminar em agosto.
Fonte: Agência Brasil