10/04/2007 – A universalização do ensino fundamental não fechou a torneira do analfabetismo. Dos 15,5 milhões de brasileiros acima de 10 anos que não sabem ler nem escrever, 2,4 milhões – 15% – têm menos de 30 anos. Embora o problema atinja todas as regiões do país, 65% dos jovens analfabetos vivem no Nordeste.
Considerados apenas os jovens entre 15 e 29 anos, são 1,8 milhão de iletrados. São pessoas que chegam ao mercado de trabalho incapazes de ler a placa do ônibus ou anotar um número de telefone. Conseguir emprego fica difícil e o reflexo está nos baixos salários.
Os dados dizem respeito ao chamado analfabetismo absoluto. Foram estimados em 2005, pelo IBGE, a partir da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
A maioria da população iletrada – 8,4 milhões – tem mais de 50 anos. São pessoas que estavam em idade escolar nas décadas de 1950 e 1960, quando estudar era privilégio. Naquela época, nem metade das crianças e jovens tinha acesso ao sistema de ensino. Hoje 97,3% dos brasileiros de 7 a 14 anos freqüentam a escola.
A Pnad 2005 mostra que o analfabetismo atinge 578 mil crianças de 10 a 14 anos. São crianças que podem ter freqüentado a escola, sem aprender a ler e escrever, ou mesmo nunca ter estudado. O IBGE estima que 2,7% dos 27,4 milhões de brasileiros com idade entre 7 e 14 anos não estavam matriculados. Ou seja, o país tinha, em 2005, 741 mil crianças e jovens fora da escola nessa faixa etária.
A secretária de Educação do Distrito Federal, Maria Helena Guimarães de Castro, que foi ministra interina no governo Fernando Henrique, afirma que o problema é agravado pela baixa qualidade do ensino. O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), prova aplicada a cada dois anos, mostra que mais da metade dos alunos de 4a. série tem dificuldade de compreender o que lê.
– Está demonstrada, pelo Saeb, a enorme dificuldade de alfabetização no Brasil. É um problema da escola – diz Maria Helena, elogiando a proposta do governo Lula de aplicar a Provinha Brasil, teste para verificar a alfabetização das crianças de 6 a 8 anos.
A taxa de analfabetismo entre a população com mais de 10 anos é de 10,2%. O índice sobe para 10,9%, se considerada apenas a parcela acima de 15 anos – 14,9 milhões de pessoas. No Nordeste, a proporção, nesse caso, chega a 21,9%, a mais alta do país, contra 6,5% no Sudeste e 5,9% no Sul, a mais baixa.
O IBGE estima também o índice de analfabetismo funcional, que vale para quem consegue ler e escrever palavras ou frases, mas é incapaz de compreender um bilhete ou fazer cálculos simples de soma. A taxa brasileira de analfabetismo funcional é de 23,5%, alcançando 45,8% no meio rural, segundo a Pnad 2005.
Diante da persistência dos altos índices de analfabetismo no país, o Ministério da Educação decidiu reformular o Brasil Alfabetizado, programa lançado em 2003 e que teve pouco efeito na redução do problema. O ministro Fernando Haddad já declarou que a pequena queda na taxa de analfabetismo – de 11,5%, em 2003, para 10,9%, em 2005 – não é resultado do programa, que já consumiu mais de R$ 700 milhões.
Haddad lançará nos próximos dias o novo formato do Brasil Alfabetizado. A principal inovação é que professores da rede pública serão contratados para dar aulas, no lugar de alfabetizadores leigos. Com isso, o governo espera melhorar a eficácia do ensino não só de jovens e adultos, mas das próprias crianças, uma vez que os docentes receberão treinamento específico para ensinar a ler e escrever.
(Fonte: Jornal O Globo )
APP-Sindicato incentiva inscrições para o programa Paraná Alfabetizado
O programa Paraná Alfabetizado, mantido pela Secretaria da Educação, está com inscrições abertas para formação de novas turmas em todo o Estado. O programa oferece 100 mil vagas para cursos de alfabetização neste ano. As matrículas podem ser realizadas até o dia 30 de abril em qualquer colégio estadual ou pelo telefone 0800-416200. Os cursos terão duração aproximada de oito meses.
Devido a grande procura, o programa ampliou a oferta de vagas para esta quarta edição, de 60 mil em 2006, para 100 mil vagas em 2007. A APP-Sindicato pede aos professores e funcionários de escolas que indiquem o programa para pessoas que possam ser alfabetizadas.