APP puxa debate sobre violência nas escolas

04/04/2007 – Na noite de ontem, dia 3, quatro adolescentes renderam a professora Maria de Fátima Gonçalves, diretora da Escola Estadual Carlos Augusto Mungo Genez, em Londrina, e a fizeram de refém durante algumas horas. Após abandonarem a professora na estrada, os seqüestradores foram embora levando o veículo da educadora. Pouco depois, a Polícia Militar conseguiu recuperar o carro e prender três, dos quatro rapazes.
Hoje, os professores da escola – que é nova e está situada em uma zona carente da cidade – suspenderam as aulas do dia. Eles estão conversando com os alunos, e dispensando todos, em solidariedade à professora. Segundo presidente do Núcleo da APP de Londrina, professor Nelson Antonio da Silva, a diretora está muito abalada. “Três dos seqüestradores eram alunos da escola. Eles queriam o carro da professora e ameaçaram matá-la. Ela repete todo o tempo que nasceu de novo”, informa o professor.
Diante deste quadro de violência, a APP está agendando uma reunião com a Secretaria da Educação na qual tratará, com urgência, do assunto. Além disso, a violência no ambiente escolar será um dos temas dos debates que serão realizados, no dia 10 de abril, nas escolas da rede pública estadual. O Sindicato está distribuindo material para os educadores onde, entre outras coisas, solicita que os mesmos relatem os casos de violência dos quais foram vítimas.
A APP também realiza, nos dias 25 e 26 de maio, um seminário estadual sobre a violência, no Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba (PR). A iniciativa integra o Ciclo de Debates que marcam os 60 anos da entidade. Estarão participando da discussão, além dos educadores, o Ministério Público Estadual e a Secretaria de Segurança Pública.
Na última Assembléia da categoria, realizada dia 31 de março, ficou definida a realização de seminários regionais sobre o tema. O Núcleo Sindical de Londrina, inclusive, já tem data marcada para o evento: dia 20 de abril. Já no dia 25 de abril, data definida pela categoria para a paralisação estadual e uma nova Assembléia, a questão volta a ser debatida pelos educadores.
Para a professora Marlei Fernandes, secretaria Educacional da APP, o assunto exige medidas sérias. “É o crime entrando na escola. Temos que tratar disto o mais rápido possível. O Estado precisa criar políticas públicas de combate. O professor não está preparado para enfrentar esta situação de violência. E não queremos que ela aconteça na escola, assim como não queremos que ocorra na sociedade”, defende Marlei.

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