APP-Sindicato homenageia Professor José Scheinkman

Nada estava pronto, havia muito a se fazer. Com a instalação do Estado Novo, o Brasil passou a respirar novos ares. Época de efervescência ideológica. Foi neste clima, que em 1947, fundou-se a A.P.P. – Associação dos Professores do Paraná.
O primeiro presidente, Faustino Favaro, que era Diretor do Instituto de Educação do Paraná, convidou o Governador Moisés Lupion para a primeira Assembléia Geral da categoria. E o governador Lupion, não se fez de rogado. Compareceu à assembléia e se comprometeu a lutar pela causa do magistério.
Foi o início de uma grande caminhada, acompanhada de perto por outra figura importante da história da educação: José Scheinkman. Politizado, visionário, diplomático, Scheinkman participou ativamente da fundação da Associação dos Professores do Paraná e foi secretário da primeira gestão. Mais tarde, em 1954, ele foi eleito presidente da A.P.P. e ficou na direção até 1961.
Faziam parte da diretoria empossada em 1954, o tesoureiro Tufi Salum, e os Conselheiros Fiscais Rosinha Macedo e Marina Villela. A sede da A.P.P., que até então funcionava no Instituto de Educação do Paraná, mudou de endereço. Passou a ser no Conjunto 801, do Edifício João Alfredo, na Praça Zacarias. E dali só sairia para a sede própria, onde até hoje funciona a Sede da APP-Sindicato.
A conquista só foi possível graças à influência de Scheinkman junto ao Governo do Estado. O professor conseguiu a assinatura de um acordo que garantiu o repasse de Cr$200,00 anuais, durante 10 anos, para a construção de um prédio próprio da A.P.P. Com esse dinheiro foi possível comprar os oito conjuntos no Edifício ASA, no centro de Curitiba, onde até hoje funciona a Sede da APP-Sindicato.
Na gestão de Scheinkman a A.P.P. foi declarada de Utilidade Pública. Um terreno foi doado pelo Governo à entidade para construção da Casa do Professor. Foram realizadas duas manifestações de destaque. Uma contra o Governador, por não atender às reivindicações do Magistério e outra contra o diretor do Colégio Estadual do Paraná, por querer punir o Professor Miguel Wook. A diretoria também realizou uma campanha para escolha de representantes nas escolas, sendo pioneira na discussão da carreira do professor.
Scheinkman defendeu essa idéia em um artigo publicado na Revista do Professor, na edição de setembro/outubro de 1947, juntamente com o Professor Faustino Favaro.
O texto soa bastante atual. “Um dos mais discutidos problemas do magistério é o que se refere à remuneração do professor. Falam todos que o professor não pode viver com os salários atuais, o que é uma grande verdade. Dizem os diretores que não podem pagar mais o que talvez seja verdade para poucos estabelecimentos. Pedem os Sindicatos e as Associações de Professores que o magistério seja considerado uma função pública. E se o governo fizesse isso, criando a “Carreira do Professor” semelhantemente à dos militares e à dos diplomatas, pensamos que o problema seria resolvido.”, escreveram eles.
E no texto, há ainda outras observações: ” A União, a quem compete instruir, deveria considerar todos os professores funcionários do Estado… E quais seriam as vantagens que adviriam para o ensino? Entre outras: 1)independência econômica para o professor, ponto básico para uma formação profissional ;. 2)aposentadoria, montepio, casa do professor, pontos essenciais para a estabilidade espiritual e material do professor; 3)rodízio entre os professores das capitais e do interior: a dificuldade que os professores d interior têm para freqüentar cursos, acompanhar a evolução constante da cultura e dos processos pedagógicos, concorre muito para o mau ensino”.
Combativo e ao mesmo tempo, sempre disposto a negociar, José Scheinkman , é lembrado com carinho pela atual direção da APP-Sindicato, que rende homenagem ao ex-presidente que tanto fez pela categoria.
O professor José Scheinkman faleceu neste último mês de fevereiro, no Rio de Janeiro, onde já morava há vários anos.
Ele será lembrado durante as comemorações dos 60 anos da APP-Sindicato, que reconhece na figura do profissional José Scheinkman, um exemplo para as futuras gerações de educadores. Todos os ex-presidentes da APP-Sindicato serão homenageados durante as atividades.

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