Superar as desigualdades entre negros e brancos é um desafio que exige a implantação de políticas específicas. Os professores têm um papel fundamental neste debate, pois constroem práticas pedagógicas e estratégicas de promoção da igualdade racial no cotidiano da sala de aula.
Para o professor africano Abidemi Adebayo Majaro, formado em Arte Visual e Desenho, Brasil e África têm muitas histórias em comum. “Há muita distorção na história. Os africanos que trabalharam como escravos no Brasil, são responsáveis pela evolução em várias áreas de desenvolvimento. Os conhecimentos usados para a construção das casas, por exemplo”, lembra ele.
A construção das Pirâmides no Egito é uma prova de que a tecnologia dos africanos era muito avançada para a época. Toda sabedoria dos negros foi utilizada pelos colonizadores do Brasil, sem que fossem dados os créditos aos verdadeiros detentores da sabedoria.
Abidemi Adebayo Majaro é pesquisador e diz ter dificuldades para conseguir material didático sobre o tema no Brasil. “Praticamente toda literatura sobre o assunto é escrita em inglês, é preciso traduzir”, conta ele. E completa, “Ainda há muito o que fazer para mudar o quadro atual”.
O curioso é que não é necessário fazer esforço para identificar a cultura africana na vida de qualquer brasileiro. Da comida, à música. O idioma nativo, o Yorubá, deu origem à várias palavras até hoje usadas diariamente. “Loja”, por exemplo. Em Yorubá, “Lo” significa Ir. “Já”, quer dizer mercado de rua. A expressão usada pelos escravos foi adotada pelos brasileiros e ganhou o significado que hoje conhecemos. E que tal buscarmos a origem da palavra “fofoqueiro”? Ofôfo, em Yorubá, é usado para definir a pessoa que fala das outras.
Para o professor Abidemi, é importante “contar a história da África, pelos próprios africanos”. É o que ele vai fazer no Curso de História da África e Línguas Africanas. O curso tem duração de 30 horas aula, o que equivale a uma aula por semana. As aulas serão ministradas todas as sextas-feiras, as 18h30, no Celin da Rua XV de Novembro, perto da Reitoria da Universidade Federal do Paraná.
As inscrições podem ser feitas no próprio local e há vagas para 18 pessoas. As matrículas começam dia 01/02 e o início das aulas está previsto para o dia 16/02. O curso custa R$180,00 e pode ser parcelado em até 3 vezes de R$63 reais.
Qualquer pessoa pode participar, a partir de 18 anos.
Mais informações podem ser obtidas no endereço eletrônico www.celin.ufpr.br e nos telefones (41) 363 3354 e 3254 8715.
O professor Abidemi Adebayo Majaro é presidente da Organização Não Governamental Afro-Globo Fórum-Cultural, que desenvolve a Filosofia Humana. Mais informações sobre Pesquisas sobre a História da África e dos Negros no Brasil podem ser conseguidas na sede da Ong, na Rua Tijuca do Sul, 766, no bairro Sítio Cercado. Telefones para contato: 41 3227 0220 e 41 9969 5851. Email: [email protected] ; [email protected]