28 de outubro – Dia do Funcionário Público

Não há notícia de trabalhadores que tenham sido tão difamados como os servidores públicos foram no final do século 20. Eles resistiram à investida neoliberal e hoje reconquistar sua dignidade.
Não há notícia de trabalhadores que tenham sido tão difamados como os servidores públicos foram no final do século 20. Houve de fato uma campanha implementada pelos meios de comunicação, com base no senso comum, de que funcionário público ganha muito e não trabalha. Como o objetivo era enfraquecer a auto-estima dos servidores e o próprio serviço público, a campanha não se preocupava em separar o joio do trigo.
A campanha contra os funcionários públicos começou em meados dos anos 80. Era um período recém saído da ditadura militar e a máquina pública brasileira mantinha arraigados os vícios autoritários. Todas as correntes de opinião concordavam que ela estava engessada, mas divergiam nas medidas a serem adotadas. A esquerda defendia a democratização, modernização e profissionalização do Estado. A direita propunha sua redução ao mínimo.
O preconceito contra os servidores chegou ao ponto de Fernando Collor, em 1989, firmar sua campanha a presidente sob o mote de “caçador de marajás”. Marajá virou sinônimo de funcionários público. Na verdade, os grandes meios de comunicação e a direita brasileira pavimentavam o caminho para implantar a reforma administrativa neoliberal, com a privatização das empresas e do serviço público e a redução ao mínimo da função do Estado. Para obter sucesso, eles precisavam passar por cima dos funcionários públicos.
Os governos Collor e Fernando Henrique Cardoso, no plano nacional, e Jaime Lerner, no estadual, foram períodos de árdua resistência para os funcionários públicos. A cada dia, servidores se debatiam com leis, decretos e resoluções que atacavam, destruíam ou reduziam direitos duramente conquistados. São inúmeros os exemplos. O mais próximo da nossa realidade é a Paranaeducação, de Lerner, que pretendia terceirizar a contratação de professores e funcionários públicos, sem concurso público.
No Paraná e em todo o país o povo rejeitou o neoliberalismo nas eleições de 2002. A partir daí os servidores puderam sair da defensiva para tentar avançar. O Plano de Carreira dos Professores e os concursos públicos já decorrem desse novo panorama. Outro exemplo concreto é o programa Profuncionários, que o governo Lula criou e a APP-Sindicato conseguiu que o governo do Paraná adotasse. O programa tem como meta a profissionalização dos funcionários das escolas para que eles reconheçam seu papel na educação das crianças e dos jovens e atuem como educadores.
A eleição que ocorre neste fim de semana é mais um evento que coloca à prova o futuro do funcionalismo público. Além de comemorar justamente o Dia do Funcionário Público neste sábado, no domingo precisaremos votar em candidatos que defendam a valorização dos servidores, porque esta é uma das formas de melhorar os serviços públicos para a população.
Depois, na segunda-feira, precisaremos novamente atuar para fortalecer nossa luta por salários e pela carreira. Independente de quem for eleito – para presidente ou para governador -, só com união, organização e luta os funcionários públicos conseguirão finalmente reconquistar sua dignidade.

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