Celso Antonio Breda
O Boletim Informativo Intervalo, editado pelo Núcleo Sindical de Cascavel, entrevistou a “senhora Educação” , que já foi jovem e teve seus momentos de glória. Tão lembrada, badalada e “na boca do povo”, principalmente dos políticos em época de eleição.
Intervalo – Os políticos dizem que a senhora é prioridade, que investirão mais recursos, que seus projetos serão voltados para que a senhora tenha qualidade … Como dormir com um barulho desse?
Educação – Olha, meu filho, isso sempre foi assim, desde quando eu era criança. Estou velha, cansada de tanto assédio e continuo abandonada e esquecida. Só ser lembrada e bajulada de quatro em quatro anos e para fins eleitoreiros, você não acha que é pouco?
Intervalo – O que você tem a dizer dos governos que vetam projetos de leis que beneficiam seus filhos (os educadores)?
Educação – Veja bem, meu querido, fosse eu jovem, atraente, com alguns predicados (você sabe quais) eles não vetariam nada. Mas na situação em que me encontro, quase decrépita, com essas rugas da indignação estampadas na minha face, aprovar projetos para melhorar o quê?
Intervalo – Temos notado que os professores e funcionários estão cada vez mais doentes, com salas superlotadas e escolas sem o número suficiente de funcionários. O que a senhora sugere para solucionar esses problemas?
Educação – Meu amor, isso que eu não consigo entender. Se você me diz que estes problemas existem, eu pergunto: O que estão fazendo com todos estes recursos que “eles” dizem que investem em mim? Tem um candidato aí que nunca aplicou mais de 20% do orçamento e agora quer que eu acredite que no próximo ano vai destinar 30% do orçamento para mim. Eu quero dizer que faz muito tempo que deixei de acreditar em Papai Noel…
Só com a união dos professores, funcionários, pais de alunos e o povo em geral eu acredito na solução, senão…
Intervalo – O que a senhora tem a dizer desta luta do sindicato e de alguns abnegados educadores que, apesar de toda discriminação, perseguições e ameaças, não desistem de lutar pela senhora?
Educação – Meu bem, eu acho que eles são loucos! (por favor, não publique isso!) Eu creio que essa luta é justa e com tantas dificuldades esses “doidos” não deixam de cumprir com suas obrigações, gostam do que fazem e o fazem mesmo sem receber o respeito e a consideração que merecem.
Intervalo – Senhora Educação, o que mais gostaria de dizer-nos? Suas considerações finais …
Educação – Eu agradeço a oportunidade que me foi dada para expressar o que penso, pois, você sabe, é raro que alguém publique exatamente o que pensamos. E concluindo gostaria de dizer que apesar de tantas promessas eu continuo sem salas de aulas adequadas e quase sempre superlotadas, minhas bibliotecas e laboratórios estão defasados, faltam equipamentos escolares, os meus prédios estão sem manutenção, não tenho quadras cobertas, não tenho materiais esportivos, pedagógicos e tecnológicos suficientes, mas “eles”, assim mesmo, insistem em dizer que eu sou prioridade. Imaginem só se eu não fosse?
O professor Celso Antonio Breda é secretário de Imprensa do Núcleo Sindical de Cascavel