Requião mostra o descaso com educadores

Mais de cinco mil professores e funcionários de escolas foram neste 30 de agosto tentar negociações com o governo. Chegando no Centro Cívico os educadores encontraram cabos eleitorais do governador Requião, que portavam bandeiras do candidato à reeleição. No Palácio Iguaçu, apenas um assessor recebeu a direção da APP-Sindicato somente para agendar nova reunião.
O descaso de Requião revoltou os educadores que compareceram no ato. É a primeira vez nesses anos que um governo deixa de abrir negociações. No dia 16 de setembro a categoria volta a se reunir em assembléia estadual para definir novas estratégias de luta. Uma das ações será denunciar à população a postura arrogante e prepotente do governador. Com a crescente insatisfação de professores e funcionários é possível que o movimento venha a desembocar na greve geral.
18 anos de 30 de agosto
A mobilização nesta 18ª manifestação de 30 de agosto começou na Praça Santos Andrade, em Curitiba. Da praça os professores e funcionários partiram em caminhada por ruas do centro, rumo ao Palácio Iguaçu, por volta das 10h30min.
Bandeiras coloridas, estandartes, faixas, fantasias e bonecos coloriram e animaram a passeata. Além de apresentar as reivindicações da categoria, lembraram a história das lutas do 30 de agosto, desde a violenta repressão que os professores foram vítimas, em 1988, quando o governador era Álvaro Dias. No ano seguinte esta data foi transformada no Dia de Luto e de Luta dos Educadores do Paraná e nela tradicionalmente ocorre mobilização estadual.
Os manifestantes lembraram o descaso de Requião com a Educação no seu primeiro governo, no início dos anos 90s; os difíceis anos de Jaime Lerner, quando a escola pública virou laboratório neoliberal; e o retorno de Requião com sua prepotência.
Cultura popular
Na frente do Palácio Iguaçu, enquanto buscava negociações, professores e funcionários dançaram ao som do grupo Mundaréu, que tem como principal material de criação a arte e popular. Os cinco integrantes cantaram e tocaram ritmos de diversas regiões do país, de cacuriás e toadas de boi do Maranhão ao fandango do Paraná, sem deixar de lado o coco e a ciranda, de Pernambuco.
Os educadores cobram do governo a equiparação salarial entre professores e agentes profissionais. Ambos cargos exigem curso superior, mas os salários iniciais dos professores é a metade. A principal reivindicação dos funcionários das escolas é a criação do seu Plano de Carreira.
Principais reivindicações
_x0007_ Equiparação salarial dos professores com os servidores que têm como exigência de carreira o ensino superior;
_x0007_ Plano de Carreira dos Funcionários;
_x0007_ Fim das perseguições contra a APP-Sindicato;
_x0007_ Contagem do tempo com aulas extraordinárias num segundo padrão de professor;
_x0007_ Novos critérios para ascensão ao nível III da carreira (PDE);
_x0007_ Menos alunos em salas de aulas;
_x0007_ Atendimento digno à Saúde;
_x0007_ Novos critérios para o concurso para funcionários (agentes de apoio);
_x0007_ Atendimento dos demais itens da pauta de reivindicações

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