O Conselho Estadual de Educação (CEE) realizou audiência pública no dia 31 de julho para debater as diretrizes para o ensino de História e Cultura africanas e afro-brasileiras nas escolas. Com base na posição de consenso apresentada pelos membros conselho presentes, a deliberação deve ser aprovada ainda nesta semana, sem modificações – possivelmente com algumas correções ou adaptações.
A audiência foi presidida pelo professor Romeu Gomes de Miranda, ex-presidente da APP-Sindicato e militante do movimento negro. Para ele, esta normatização do CEE dará suporte para a escola trabalhar as relações étnico-raciais e ajudar a superar o racismo velado da sociedade brasileira.
Ao comentar a necessidade dessa norma anti-racismo, o professor Romeu lembrou de colegas negros que deixaram os estudos porque não se reconheciam nos conteúdos e nas representações escolares. Abatiam-se diante de estereótipos e conceitos negativos que a escola reforça e acabavam por abandoná-la.
Eleito pela categoria para representá-la no Conselho Estadual de Educação, o professor Arnaldo Vicente ressaltou que, pela forma como foi conduzido, o debate sensibilizou as pessoas. De fato, a deliberação só recebeu elogios dos presentes. No máximo sugestões pontuais para aprimorar o texto, inclusive de entidades do movimento negro, que estiveram presentes.
Pouco antes de encerrar a audiência, o professor Arnaldo presenteou o professor Romeu com uma aquarela onde são representados orixás, deuses de religiões de matriz africana, que já foram criminalizados e são hoje demonizados por seitas fundamentalistas.
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