Brasil de fato – Mais de 3 mil pessoas se reuniram no II Fórum Social da Tríplice Fronteira com o objetivo de discutir os problemas da região e dos países que a compreendem – Argentina, Brasil e Paraguai -, assim como articular ações conjuntas para solucioná-los.
O encontro, realizado entre os dias 21 e 23 em Ciudad del Este serviu, sobretudo, para reafirmar o repúdio às acusações do governo estadunidense de que haveria terroristas baseados no local. “Denunciamos e rechaçamos a tentativa do Congresso dos EUA – a pedido de George W. Bush – de sancionar uma lei que solicita à Organização dos Estados Americanos (OEA) a formação de uma força militar antiterrorista para atuar na Tríplice Fronteira, atentando contra a soberania e a autodeterminação dos povos da região”, diz a declaração da Assembléia de Movimentos Sociais, a última atividade do Fórum, que acusa o governo estadunidense e “governos cúmplices” de terrorismo.
O documento exige, ainda, a não-renovação, em dezembro desse ano, do convênio firmado entre os Estados Unidos e o Paraguai que, entre outras coisas, prevê exercícios militares estadunidenses em qualquer parte do território paraguaio e imunidade judicial às tropas daquele país.
Segundo o texto, desde sua asinatura, a repressão ao movimento social tem aumentado: “sabemos que a militarização e criminalização dos lutadores e lutadoras do povo têm, entre outros objetivos, a apropriação do Aqüífero Guarani, pois a água é um bem natural em disputa no mundo por parte das grandes empresas transnacionais, com a cumplicidade do Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento”.
Imperialismo
A declaração exige também o cancelamento da dívida externa que as empresas Binacional Itaipu e Yacyretá têm, respectivamente, com os governos brasileiro e argentino que “consome grande parte do orçamento público do Paraguai, aprofundando a dívida social com seu povo”; a retirada de todas as tropas estrangeiras do Haiti e convoca a solidariedade com os povos da Palestina, Líbano, Iraque e Afeganistão, “vítimas da agressão e da guerra imperialista”.
Para Mariela González, organizadora do Fórum, a articulação da luta e da resistência contra a ameaça imperialista foi um dos principais objetivos do evento. Mariela cita o Aqüífero Guarani como o grande chamariz da região para os EUA, mas assinala que não é só isso. “Preocupa ao governo estadunidense a situação e o fluxo comercial livre que existe aqui. Ou seja, nem o governo paraguaio nem o estadunidense podem exercer um controle sobre as diferentes multiculturalidades que existem e sobre o comércio”. Explica-se, desse modo, a tentativa de associar a região ao terrorismo.
Segundo Mariela, outro problema comum que aflige a região fronteiriça dos três países é a exploração e opressão dos setores mais excluídos, principalmente dos povos indígenas. “Infelizmente, não se tem feito nada para mudar isso, para dar respostas concretas que vão além do assistencialismo”, diz. Para a organizadora do Fórum, os sacoleiros brasileiros só exercem essa atividade pela falta de altenativas oferecidas pelo Estado.
Igor Ojeda