APMC faz seminário sobre diversidade racial

No dia 12 de julho a APMC (Associação dos Professores Municipais de Colombo) realizou o seminário “Promovendo Igualdade Racial”. O principal objetivo foi pensar e refletir sobre as ações afirmativas e sua importância para a sociedade brasileira, uma vez que somos a segunda nação com maior contingente de negros no planeta.
A mesa de abertura reuniu onde autoridades e dirigentes sindicais, que fizeram breve saudação e parabenizaram o encontro. Dentre eles estavam Edílson de Paula, secretário de Municipais da APP-Sindicato, Vilma Santos Costa (presidente do Núcleo Sindical Metropolitano Norte), Anderson Barbosa (diretor da Assemco), professor Waldirlei Bueno de Oliveira (representando a Câmara de Vereadores de Colombo), Tadeu Veneri (deputado estadual pelo PT), José Antonio Camargo (prefeito de Colombo) e Neuza Barbosa Rodrigues, presidente da APMC.
Na parte da manhã, o assessor jurídico Ludimar Rafahim, falou sobre o novo Regime de Previdência proposto para Colombo. Edílson de Paula falou sobre o Fundeb, explicando sua diferença em relação ao Fundef, de que maneira serão os investimentos para a educação e quantos alunos serão beneficiados com o novo Fundo.
Apartheid social no Brasil
No período da tarde o seminário incorporou a discussão sobre políticas públicas e ações afirmativas. Contou com a presença da mestre em Sociologia Marcilene (Lena) Garcia de Souza, que fez críticas contundentes à sociedade brasileira. “Temos uma sociedade excludente, desigual. No discurso se tem como essência o princípio da igualdade. Quando na verdade o indivíduo branco que nasce pobre, tem vantagem em relação ao indivíduo negro, ou seja, todos sabem como os negros são tratados.”
Para Lena, ações afirmativas levam em consideração principalmente a vulnerabilidade e é dever do Estado promover políticas públicas. “Nossa sociedade não é saudável, é doente, reforça esteriótipos de conceitos em relação a teoria do embranquecimento. O Estado tem que desconstruir esse valores por meio de políticas públicas”, questiona a socióloga.
Na opinião de Marcilene, os professores têm que atuar na promoção de uma sociedade igualitária. “O professor tem que estar com o olhar atento para uma cultura cidadã, principalmente nos espaços públicos. Na decoração das escolas é comum vermos anjos do cabelo amarelo. Dessa maneira está reforçando o esteriótipo de que neste espaço só tem brancos, ou seja, a criança ou aluno negro não se identifica.” Ressaltou ainda que “é importante que o professor veja que signos estão reforçando, ter olhar crítico sobre os livros didáticos, sobre os programas de TV e principalmente, ficar mais atento sobre suas práticas nos espaços públicos.”
Cultura afro-brasileira na escola
A Lei 10.639/03 determina o ensino da história afro-brasileira nas escolas da rede pública e particular. Segundo Lena, a lei existe para que a escola cumpra o seu papel social e possibilite culturas e saberes universais. A escola é responsável por transmitir os conhecimentos acumulados pela humanidade, é de sua responsabilidade promover a sociabilidade das crianças e jovens, possibilitando o acesso a um repertório de conhecimentos diversificados e privilegiando a desconstrução do preconceito racial.
Identidade, memória e diversidade
O diretor da APP-Sindicato Luiz Carlos Paixão da Rocha falou sobre a importância da escola contar histórias que revelam a presença das populações negras, uma vez que o recurso pedagógico recupera e amplia o imaginário positivo sobre a população negra, salientando que “Cabe aos professores incluir no currículo escolar o ensino da história afro-brasileira”.
No final do seminário, sugeriu-se a criação de uma comissão para acompanhar a implementação da Lei 10.639/03 no município de Colombo.

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