Cerca de 100 pessoas (a maioria crianças e adolescentes) ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram ontem (dia 8) pela manhã a sede da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), no Centro Político Administrativo de Cuiabá. Eles foram reivindicar melhorias na educação no campo, alegando que o governo do Estado vem divulgando propaganda enganosa, que não condiz com a realidade.
A manifestação, em caráter amistoso, era para chamar a atenção dos servidores da Educação para que se sensibilizem com a causa. ‘Aqui em Cuiabá está acontecendo um encontro nacional de secretários de educação promovido pelo Consed (Conselho Nacional dos Secretários – no Hotel Eldorado) e também o Seminário Estadual de Educação no Campo para promoverem politicagem e não discutir avanços na construção da educação no campo’, argumentou Rosângela Rodrigues, uma das coordenadoras do MST.
Rosângela lembrou que desde janeiro deste ano o MST solicita audiência à secretária de Educação, Ana Carla Borges Muniz, e até agora não obteve resposta. ‘É um descaso com a Educação não somente do campo, mas nas escolas rurais de Cuiabá e Várzea Grande, Rondonópolis, Cáceres entre outros. Falta tudo: desde qualificação dos servidores, professores especializados, transporte, alimentação e um ensino com mais qualidade’, apontou.
A coordenadora fez questão de frisar que na quarta-feira em uma escola rural de Várzea Grande os alunos não assistiram às aulas porque o ônibus escolar quebrou. ‘Às vezes as crianças passam mais tempo dentro de um ônibus que na sala de aula’, justificou. ‘O governo precisa tomar conhecimento da realidade do ensino no campo. Temos mais de duas mil crianças e adolescentes em idade escolar e todas estão participando das aulas até em barracas’, explicou. O secretário de Informação do Sintep, Gilmar Soares Ferreira, disse que o movimento vem de uma caminhada de luta que estabelece políticas concretas da educação no campo.