A professora Margarida (o nome é fictício porque ela não quis se identificar) comentou na reunião realizada no Núcleo Sindical Curitiba Norte, em 18 de maio, que pensava em desistir de trabalhar para o Estado. Conforme relatou na reunião, o valor líquido do salário que ela recebeu em abril, deixou-a desanimada. Ela reafirmou esta posição nesta entrevista exclusiva.
Você falou que estava desanimada com o trabalho…
Se continuar este salário, eu vou sair do Estado.
Quanto você ganha?
Sabe que eu não descobri direito. Meu primeiro pagamento foi de R$ 450 e agora de R$ 360.
A qual período refere-se o primeiro pagamento?
De 13 de fevereiro a 31 de março, pouco mais de um mês e meio. Mas no último pagamento o salário base foi de 360 e veio descontada a diferença do mês anterior. Meu pagamento líquido, com o auxílio-transporte, foi de R$ 282 e alguns centavos.
Qual sua carga horária?
20 horas.
Vocês têm hora-atividade?
Sim. Num dia por semana a gente não entra em sala, isto quando não falta professor. Daí a gente se obriga a cobrir a falta.
Antes deste contrato, você já trabalhou para o Estado?
Já trabalhei como Paranaeducação e PSS, mas eu mesma saí por motivo de mudança e agora voltei. Meu contrato foi indeferido porque tinha menos de dois anos do último contrato. Daí voltaram atrás.
(Foi a luta da categoria que fez o governo aceitar as inscrições de educadores que já tiveram contratos PSS e, depois, contratá-los).
Qual sua formação?
Tenho formação em Pedagogia, pós-graduação em orientação e supervisão escolar e Psicopedagogia.
Se você entrasse por concurso agora, seu salário inicial seria R$ 515…
Não sabia. Trabalho no município de Curitiba e sei do salário de lá.
Qual seu salário como professora municipal?
O salário base é R$ 640 e alguma coisa e tem também o auxílio-transporte.
Por isto está desanimada
É difícil continuar, né? Minha diarista ganha mais que R$ 282. Melhor ficar em casa, sem os 35 alunos na minha cabeça e ainda economizo.