A violência no campo cresceu em 2005. E em dobro, diz relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Sessenta e quatro pessoas foram assassinadas. Contra 31 em 2004.
Os números foram divulgados na terça-feira, 18, e constam na publicação Conflitos no Campo – Brasil 2005, lançado na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
O relatório destaca o assassinato da missionária Dorothy Stang, a greve de fome do bispo Luiz Cappio contra a interligação de bacias do Rio São Francisco e a morte do ambientalista Francisco Anselmo de Barros, que ateou fogo ao próprio corpo em defesa do Pantanal.
Estudo também faz menção ao massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em abril de 1996, com 19 sem-terra assassinados.
A violência no campo mostra formas direta e indireta, destaca o relatório 2005.
A direta, expulsa famílias e assassina trabalhadores.
A outra, que chama pouca atenção, decorre dos conflitos no campo, principalmente pela posse da terra.
Causas da violência
Injusta concentração fundiária, não demarcação das terras indígenas e não realização da reforma agrária são as principais causas para a crescente violência no campo.
Violência dos que têm muito contra os que buscam pelo menos a sobrevivência.
Crianças e indígenas estão entre os mais atingidos pela ganância dos latifundiários.
Também existem casos de morte de trabalhadores, cortadores de cana-de-açúcar, em São Paulo, por excesso de trabalho.
Anos 70 e 80 o trabalhador de usina cortava de cinco a oito toneladas de cana por dia. Hoje o corte atinge de 12 a 15 toneladas.