Professores e funcionários de escolas iniciaram o ano com a expectativa de que o Fundeb (Fundo da Educação Básica) fosse aprovado e implantado com rapidez. Caso o Senado o aprovasse ainda no período de convocação extraordinária, a Educação pública receberia neste ano um aporte financeiro de R$ 4,5 bilhões.
No entanto, mesmo com o apelo do ministro e com quase todos os deputados e senadores se dizendo favoráveis ao Fundeb, sua tramitação é vagarosa. Emperra sempre que passa pelas mãos de parlamentares do PFL.
Quando o projeto estava na Câmara Federal, o deputado Paulo Magalhães (PFL-BA) segurou-o por quase dois meses na Comissão de Constituição e Justiça. Agora no Senado, o Fundeb está nas mãos do senador José Jorge (PFL-PE), que demonstra a mesma falta de vontade do seu correligionário com relação à matéria.
Para a deputada Fátima Bezerra (PT-RN) o projeto já poderia ter sido votado, beneficiando milhares de estudantes neste ano. “Isto não está acontecendo devido a capricho do PFL, movido pelo sentimento mesquinho de que iniciativa deste porte repercutirá positivamente para o governo Lula, autor da proposta”, diz a deputada.
O jornalista Antonio Góis também apurou com organizações não-governamentais que o calendário eleitoral já contamina o debate. Segundo ele, ‘começa a surgir, nos bastidores, o discurso de que não se deve dar ao presidente Lula esse trunfo em ano eleitoral’.
A PEC que cria o Fundeb foi aprovada pela Câmara em segundo turno no dia 2 de fevereiro por 457 votos a 5, com votos de todos os partidos.