Fórum Mundial de Educação começa em Nova Iguaçu

Adital – O Fórum Mundial de Educação, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, será realizado de 23 a 26 de março, com o objetivo de ampliar e continuar a experiência iniciada em 2004, em São Paulo. O primeiro FME temático foi dedicado a debater e provocar construções políticas rumo a ” uma educação cidadã para uma cidade educadora”. Era a primeira grande jornada após a opção do FME pela descentralização dos seus eventos mundiais, com a realização de fóruns temáticos e regionais, e sua transformação em movimento comprometido com a construção de uma Plataforma Mundial pela Educação.
Em 2004, o desafio de “tornar a cidade um espaço intencionalmente educativo “, em qualquer lugar do mundo, passou a constar das contribuições do FME para essa plataforma. Os debates sobre a necessidade de se desmercantilizar a educação e garantir sua natureza pública resultaram em uma série de recomendações, como a de trazer para o currículo e para a escola o conhecimento e as experiências da cidade, do campo e de suas comunidades, e de se reconhecer que a concepção de escola pública, popular e cidadã é parte da construção de uma cidade educadora.
Esse debate continua, agora, em Nova Iguaçu. A centralidade temática é a mesma: uma educação que busque garantir os direitos sociais para todos os seres humanos, por meio de “projetos político-pedagógicos de caráter emancipatório dos diversos espaços educativos, formais, não formais e informais”, conforme a ementa geral do evento.
Mas a organização temática do FME-Nova Iguaçu procura dar ênfase à preocupação em superar as relações perversas que se interpõem no caminho da Cidade Educadora. O pressuposto é que, sem respeitar as diversidades étnico-racial, cultural e de gênero, tal projeto não se concretizará. E não é possível pensar em alternativas sem que se debatam as reais causas da desigualdade econômica e a luta para sua reversão.
O FME-Nova Iguaçu propõe a Cidadã Educadora como um objetivo a ser alcançado, e a implementação de políticas públicas “estruturantes” como forma de pavimentar o caminho. Para debater essas preocupações e provocar avanços, foram definidos três grandes eixos temáticos: Educação, cultura e diversidade; Ética e cidadania em tempos de exclusão ; Estado e sociedade na construção de políticas públicas.
Um dos motivos que levaram o Conselho Internacional (CI) do Fórum Mundial de Educação (FME) a escolher a Baixada Fluminense como sede da edição de 2006 no Brasil foi a chacina de 31 de março de 2005. Na ocasião em que foram assassinadas as 29 pessoas de Nova Iguaçu e Queimados, o CI do FME estava participando de uma reunião preparatória do Fórum Social Mundial na Holanda.
Durante todo o FME, o Reage Baixada estará promovendo atividades autogestionadas, quando a população poderá discutir e debater a questão da violência, em particular, a chacina de 31 de março. Estão sendo programados debates, palestras e seminários que acontecerão em diversos pontos da cidade.
No Brasil 1.495.643 crianças de 7 a 14 anos estão fora da escola, ou seja, 5,50% da população nessa faixa etária (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, de 2005). Em algumas cidades da Baixada Fluminense, região que está sedia o Fórum Mundial de Educação, esse percentual é maior que a média brasileira, e superior a do Estado do Rio de Janeiro, que é 4,95%. Municípios como Belford Roxo e Seropédica apresentam índices de 6,3% e 5,6%, respectivamente.
No mundo, segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), de 2005, 771 milhões de pessoas com mais de 15 anos carecem de capacidades básicas de leitura, escrita e cálculo. Setenta e cinco por cento destes analfabetos adultos vivem em 12 países (Índia, China, Bangladesh, Paquistão, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Egito, Brasil, Irã, Marrocos, República Democrática do Congo).
No que se refere a gênero, as mulheres são as que menos têm acesso à educação. O estudo apontou que 74% dos 771 milhões de analfabetos do mundo são mulheres, o que significa que não tem havido mudanças na paridade educacional nos últimos 15 anos, visto que em 1990 esse percentual era de 63%. Outro alerta da Unesco é de que 100 milhões de crianças continuam sem concluir o ensino fundamental e que as meninas representam 55% deste número.

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