Marcha das Mulheres apóia ataque a Aracruz

Durante a II Conferência Internacional sobre Reforma Agrária, que ocorre em Porto Alegre, um grupo de aproximadamente 2 mil mulheres realizou um ato para denunciar à sociedade os impactos negativos das florestas artificiais.
Elas atacaram e destruíram um viveiro no horto florestal da Aracruz, em Barra do Ribeiro (RS).
A imprensa pouco falou sobre os motivos do ato, mas atacou ferozmente a iniciativa das mulheres, em mais uma tentativa de criminalizar o movimento social.
A Marcha Mundial das Mulheres divulgou nota na quinta-feira em apoio ao protesto das mulheres da Via Campesina, ocorrido no Dia Internacional da Mulher.
“Nossas companheiras da Via Campesina têm todo nosso apoio e compromisso nas ações contra o agronegócio da morte. A expansão do eucalipto e da acácia transforma o território brasileiro em um deserto verde”, diz a nota.
Leia abaixo a versão integral da nota da Marcha Mundial das Mulheres.
Nós, da Marcha Mundial das Mulheres, que organizamos manifestações em todo Brasil, reafirmamos: o 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é dia de luta. E toda forma de luta dos movimentos sociais vale a pena.
Nossas companheiras da Via Campesina têm todo nosso apoio e compromisso nas ações contra o agronegócio da morte. A expansão do eucalipto e da acácia transforma o território brasileiro em um deserto verde.
Estas empresas vendem a ilusão do progresso e de que qualquer pesquisa é favorável à humanidade. No entanto, o que recebemos é o Brasil subordinado à tirania do mercado internacional. E o agronegócio de exportação, baseado no uso intensivo de recursos naturais e na superexploração do trabalho.
Dizemos não à tudo isto. Queremos a que a organização da economia e da sociedade tenha no centro o bem-estar e a felicidade das pessoas e não o lucro de poucos. Queremos emprego com direito a salário digno. Queremos terra para quem nela trabalha. Queremos as sementes e a biodiversidade como patrimônio dos povos e à serviço da humanidade. Não aceitamos a criminalização dos movimentos sociais.
Toda solidariedade às mulheres camponesas. Transformar o mundo para transformar a vida das mulheres.
Coordenação Executiva da Marcha Mundial das Mulheres
Brasil, 9 de março de 2006

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População da Noruega é contra Aracruz, diz ativista

“A maioria é contra a Aracruz. Poderiamos ficar orgulhosos porque é um norueguês que tem êxito no exterior e ganha muito dinheiro. Mas não. Não estamos orgulhosos”, afirma Ingeborg Tangeraas, ativista norueguesa da organização NBS (Norwegian Farmers and Smallholders Union).
Leia a entrevista com Ingeborg Tangeraas:
O povo norueguês conhece a empresa Aracruz, produtora de celulose em larga escala no Brasil?

Sim, porque um dos responsáveis da Aracruz é um norueguês que mora no Brasil, Erling Lorentzen. A esposa dele é irmã do rei de Noruega, o que se pode chamar uma relação um pouco conflituosa. Tem capital norueguês dentro da Aracruz.
Como a sociedade norueguesa se posicina diante da atuação da Aracruz?
A Aracruz foi atacada muito forte por parte da União dos Camponeses, por parte da FIAN e por parte de organizações ambientais. Os ataques já vêm de vários anos. Sabe-se dos conflitos que a Aracruz criou com o povo indígena, e que a empresa está prejudicando o meio ambiente. O monocultivo não é sustentável.
E a população?
A maioria é contra a Aracruz. Poderiamos ficar orgulhosos porque é um norueguês que tem êxito no exterior e ganha muito dinheiro. Mas não. Não estamos orgulhosos. O fato do que a Aracruz está roubando ou ocupando território de indígenas criou uma reação forte no nosso povo. Tem muita floresta na Noruega, como também na Suécia e Finlándia, no norte da Europa, onde foi fundida a empresa Stora Enso, que também produz celulose no Brasil. Porque não produzem a celulose lá na Europa? Para poder usar a madeira das árvores nativas da Escandinávia é preciso deixar crescer entre 10 e 30 anos. Em vez disso, o eucalipto já pode ser usado depois de 7 anos. E é muito mais barato produzir no Brasil, a mão-de-obra sendo mais barata.

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