Demissão é presente de Natal

Os Núcleos da Educação estão convocando funcionários não estatutários para assinarem o comunicado de aviso prévio. Mais de 8 mil funcionários e 6 mil professores perderão seus empregos neste final de ano. É um presente de Natal do governo. Elas ficarão desempregadas a partir de janeiro, quando deveriam gozar as férias.
A funcionária Maria Clara de Oliveira, do Colégio Anibal Khoury, se diz preocupada, mas tem esperança de ser chamada na próxima convocação dos aprovados no concurso deste ano.
Já a sua colega, secretária da mesma escola, Marlene Correia Ventura, não sabe o que fará em 2006 para manter a si e seu filho pequeno, de três anos. Por apenas dois pontos ela deixou de ser aprovada no concurso.
Se o governo tivesse atendido as reivindicações que os funcionários apresentaram por meio da APP-Sindicato, o nível de exigência do concurso seria mais adequado à realidade desses trabalhadores. Ela teria passado e poderia continuar oferecer sua experiência de seis anos dedicados à escola pública.
Às vésperas da demissão, a secretária ainda terá a incumbência de organizar o relatório final do ano. “Como serão feitas as matrículas e organizadas as turmas no início do ano?”, questiona.
Mão-de-obra explorada
Marlene Correia Ventura é um caso típico de trabalhadora usada pelo governo. Usada é a palavra exata porque seu primeiro contrato foi por meio das Adejas. Eram associações de diretores autorizadas pelo governo Lerner (então no PFL) a contratar funcionários para as escolas.
Se na época o governo tivesse realizado concurso, Marlene teria sua primeira chance de ter um contrato de trabalho efetivo.
As adejas foram consideradas ilegais pela Justiça. Jaime Lerner criou então, a Paranaeducação. Uma empresa privada no seio do Estado, criada exclusivamente para contratar professores e funcionários.
Marlene passou no teste da Paranaeducação e foi contratada. Se fosse concurso público, seria uma segunda oportunidade ser contratada legalmente pelo Estado.
Quando a chance de fato aconteceu, o governo não mostrou sensibilidade com quem já trabalhava nas escolas. Não ofereceu condições para que pudessem defender seus empregos.
A esperança de Marlene é ser recontratada a partir de fevereiro, pois é marcante a falta de trabalhadores das escolas. Só que o contrato será pelo Processo Simplificado de Seleção (PSS), que regulamenta mão-de-obra precária contratada pelo Estado, e que não paga sequer o Fundo de Garantia.
Na foto, vemos Marlene na fila da demissão

POR