Seminário dá sequência a debates pedagógicos

A APP-Sindicato realizou sexta-feira, dia 11, em Curitiba, seminário para debater a educação à distância, a educação de jovens e adultos (EJA) e o programa de profissionalização de funcionários de escolas.

Pela manhã, as educadoras Gisele Moura, Daniele Fernanda Ferreira e Marlei Fernandes (secretária de Assuntos Educacionais da APP e diretora de imprensa da CNTE) abordaram a educação de jovens e adultos.

Gisele fez apanhado histórico da educação brasileira, em especial da forma como o Brasil tratou da alfabetização dos adultos Um contexto do Império à década de 90. Do problema do analfabetismo no final do século 19 à adoção, por Lerner e FHC, do formato neoliberal na educação de quem não conseguiu formação no ensino regular.

Mestranda no Cefet-PR, Daniela apresentou pesquisa de campo feita em Pinhais, no Centro de Educação de Jovens e Adultos, sobre alunos que freqüentam a EJA no ensino médio.

Sua pesquisa apontou que a maioria dos estudantes na modalidade educação de jovens e adultos retomou os estudos por causa do trabalho. Estudar para conseguir trabalho ou para melhorar sua condição profissional.

Já Marlei fez resgate da política lernista para a modalidade. O caos deixado pelo formato neoliberal; a reformulação proposta pela secretaria de Educação e a posição da APP-Sindicato. Ela criticou a proposta da Seed de cancelar no meio deste ano as matrículas para a EJA presencial.

Também informou que a APP tem uma posição bem definida: a EJA precisa de reformulação. Mas precisa se expandir para a idade adequada. Excluir a forma semipresencial. E colocar estudantes da EJA no ensino regular.

Marlei assegurou que antes de qualquer proposta de mudança, é necessário ter estudo amplo sobre a EJA. Após reafirmar os princípios e proposições da APP para a EJA, Marlei destacou a necessidade de reavaliação das propostas em dois anos.
À tarde, o primeiro assunto debatido foi Educação à distância, pelo professor da Escola Técnica da UFPR, Claudir José Daltoé. Suas principais críticas a esta modalidade de ensino diz respeito à mercantilização da educação e ao afastamento do educando do contexto social.
Esta modalidade de ensino, se não estiver complementada com o ensino presencial, servirá para fortalecer uma sociedade que despreza o coletivo e o social, privilegiando a segmentação e a parcialidade. “Precisamos de uma educação total, que trate o ser humano como indivíduo inserido em um contexto social, que prime pela formação do cidadão”.
Coordenando a mesa de debates, Marlei Fernandes lembrou que a discussão mais aprofundada sobre o ensino à distância na APP-Sindicato está começando agora, sendo fundamental a participação da categoria nas avaliações sobre oferecimento, fiscalização, propostas e integração com ensino presencial.
O secretário de funcionários da APP-Sindicato, José Valdivino de Moraes, na última parte do evento falou sobre a profissionalização dos funcionários de escolas. Ele apresentou o projeto Profuncionários, elaborado pelo governo federal e a ser implementado no Estado pela Seed.
O primeiro curso de nível profissional dirigido a funcionários de escolas reconhecido pelo Conselho Nacional de Educação será implementado já no próximo período letivo, com 34 turmas, com vagas para até 33 alunos por turma. Em um primeiro momento, explicou Valdivino, o curso será destinado aos funcionários de escolas estatutários e terá duração média de um ano e meio, sendo disponibilizada certificação de nível profissional.

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