Greve de fome de professores(as) e funcionários(as) de escola passa de 30 horas

A greve de fome de professores(as) e funcionários(as) de escola da rede estadual do Paraná, na porta do Palácio Iguaçu, já passou de 30 horas sem que o governo do Estado apresente um comunicado atendendo as reivindicações da categoria. Sem respostas, a decisão do movimento organizado pela APP-Sindicato é de continuidade da greve.

O grupo é composto por 29 educadores que já demonstram sinais de debilidade. Apesar disso, todos(as) manifestam disposição para continuar a resistência por tempo indeterminado. Uma equipe médica permanece local para atendimento e monitoramento dos sinais vitais.

No meio da tarde desta sexta-feira (20), atendendo pedido da procurador do Estado, Roberto Altheim, o juiz substituto, Fábio Luiz Decoussau Machado, determinou a saída dos(as) educadores(as) da marquise do prédio, onde fica a sede do governo estadual. O Sindicato recorrerá da decisão.

O ato extremo foi a única forma encontrada para tentar sensibilizar o governo a cancelar decisões que, de acordo com o Sindicato, vão desempregar cerca de 20 mil professores(as) e 10 mil funcionários(as) de escola, todos(as) atualmente contratados(as) pelo processo seletivo simplificado (PSS).

A pauta principal é a revogação de um edital PSS que prevê uma prova presencial, durante a pandemia, para contratação de 4 mil docentes por apenas um ano. A categoria também reivindica a renovação dos contratos atuais, a realização de concurso público, o pagamento do mínimo regional e de promoções e progressões.

“Só estamos aqui na porta do governador porque a Secretaria da Educação não nos ouviu nesta pauta. Continuaremos em luta até que sejamos atendidos”, declarou a secretária de Finanças da APP-Sindicato, professora Walkiria Mazeto.

Desde 2005, o governo do Paraná tem utilizado o PSS para suprir o déficit de educadores(as), burlando a finalidade deste tipo de contrato que, segundo a legislação, só deveria ser aplicado para casos emergenciais e realmente temporários.

O sindicato também denuncia que o governo selecionou pelo menos 117 escolas com ensino noturno, que não poderiam ser incluídas programa de colégios cívico-militares. Um dos critérios previstos na lei é que a escola não tenha aulas no período da noite.

Caso a medida não seja revista, a estimativa do Sindicato é de que 400 turmas frequentadas por jovens e adultos serão fechadas em todo estado, cancelando as matrículas desses(as) estudantes nestas unidades e reduzindo os postos de trabalho dos(as) profissionais da educação.

Apoio da comunidade

Lucas e Alice entregam presentes ao presidente da APP-Sindicato – Foto: Gelinton Batista / APP-Sindicato

Durante todo o dia, moradores de Curitiba e região metropolitana compareceram no local para manifestar solidariedade ao movimento. A pequena Alice Barbosa Gomes, de 5 anos, e seu irmão, Lucas Barbosa Gomes, de 12 anos, entregaram ao presidente da APP-Sindicato, professor Hermes Leão, dois ursinhos de pelúcia. Eles estavam acompanhados de seus pais, Francis Rosa Barros, que é professora PSS intérprete de Libras em São José dos Pinhais, e Willyam Gomes.

Já no início da noite, três integrantes da Pastoral da Educação, da Igreja Católica, realizaram uma homenagem aos professores grevistas, entregando uma flor branca para cada um deles. João Felipe, que é professor PSS no município de Colombo e coordenador estadual da pastoral, disse que a iniciativa teve o objetivo de fortalecer a causa.

O Sindicato também já recebeu dezenas de notas enviadas por entidades, movimentos e autoridades de todo o estado e de várias regiões do Brasil, registrando apoio aos educadores paranaenses.

Coordenação Estadual da Pastoral da Educação fez homenagem aos educadores grevistas – Foto: Gelinton Batista / APP-Sindicato
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