A inoperância tecnológica não pode punir quem sustenta a educação pública do Paraná. A APP-Sindicato acionou formalmente o Núcleo de Concursos da Universidade Federal do Paraná (NC/UFPR) e a Secretaria de Estado da Educação (SEED) para exigir uma solução urgente, rigorosa e definitiva do Processo Seletivo Simplificado (Edital nº 52/2026 – GS/SEED). Mesmo após sucessivos ajustes e uma nova retificação por parte dos organizadores, a instabilidade e as restrições persistem, o que prejudica centenas de trabalhadores(as) por falhas que a administração deveria resolver.
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“Nós alertamos e exigimos do Núcleo de Concursos e da SEED uma solução imediata. O edital existe para garantir a igualdade de condições entre todos os participantes, e não para penalizar o educador por uma falha tecnológica que ele não provocou. Exigimos a apuração dos problemas técnicos, a reabertura integral de prazos e a garantia de que nenhum trabalhador seja prejudicado”, enfatiza o coordenador do Departamento de PSS da APP-Sindicato e secretário de Finanças, Élio da Silva.
A APP-Sindicato pontua que, embora a pressão da categoria tenha forçado uma retificação que permita alterações nas inscrições (antes sumariamente bloqueadas), a medida veio acompanhada de limitações. Pelas novas regras, candidatos(as) que realizaram a inscrição nos primeiros dias e enviaram vídeo, plano de aula ou títulos com inconsistências provocadas por travamentos do próprio sistema estão impedidos de fazer correções. “Entendemos que, se o erro não foi dos candidatos, não se pode impor esse tipo de limitação”, afirma Élio.
A análise do formulário de denúncias disponibilizado pela APP-Sindicato escancarou a gravidade do cenário: foram muitos relatos de que não se trata de “erro de preenchimento”, mas sim de telas travadas, impossibilidade de correção, falta de campos essenciais e omissão nos canais de atendimento do NC/UFPR.
Pauta de exigências imediatas e inegociáveis
Para barrar as injustiças registradas e evitar a judicialização do certame, a APP-Sindicato protocolou um recurso formal e cobra uma postura firme do órgão responsável e reparações diretas aos(às) candidatos(as) impactados(as).
Entre as medidas solicitadas, destaca-se a necessidade de uma auditoria total dos logs de acesso para comprovar tecnicamente a real extensão dos erros e das instabilidades na plataforma. O sindicato exige também a abertura de um prazo geral para retificação sem restrições arbitrárias, o que iria assegurar aos participantes uma janela adequada para a conferência e correção de todos os dados e arquivos, sem qualquer tipo de prejuízo.
Outro ponto crítico abordado é a correção imediata dos erros de opção para corrigir as travas que impediram a seleção de segunda inscrição, de disciplinas e de áreas da Educação Especial (como PAEE, SRM e TILS), além de resolver as falhas de acesso relacionadas à Carteira de Identidade Nacional (CIN).
A pauta defende a recomposição integral do tempo subtraído pelos atrasos do próprio sistema, devolvendo o prazo útil previsto em edital para o upload de títulos, planos de aula e vídeos. Em relação à prova prática, o recurso exige a emissão obrigatória de protocolo eletrônico de envio, a proibição sumária da aplicação de nota zero automática por falhas na transmissão e a divulgação da ficha individual de avaliação detalhada e fundamentada para cada participante.
O que falta para apurar os fatos mais graves?
Embora o formulário do Sindicato tenha reunido provas materiais e depoimentos de candidatos(as) lesados(as), a apuração completa das irregularidades mais graves depende do acesso a dados técnicos internos que pertencem exclusivamente à organização do certame. Para que a extensão real do colapso seja totalmente esclarecida, falta o NC/UFPR liberar:
Parte técnica: Divulgação dos relatórios de erros dos servidores, registros de tentativas de envio interrompidas e o histórico das alterações de código feitas na plataforma ao longo do período de inscrição.
Mapeamento oficial do impacto: Levantamento exato de quantas inscrições foram consolidadas com dados incompletos por travamento de tela, quantos chamados de suporte ficaram sem resposta e quantos candidatos foram bloqueados ao tentar utilizar a Carteira de Identidade Nacional (CIN) ou e-mails antigos.
Comprovação do tempo útil real: Transparência sobre as datas e horários exatos em que as abas de upload de títulos, planos de aula e vídeos foram efetivamente liberadas na plataforma.
Garantia de auditoria da prova prática: Disponibilização de ferramenta para que o candidato possa checar o vídeo armazenado antes do encerramento do prazo e apresentação prévia do modelo da Ficha Individual de Avaliação com justificativa detalhada para cada critério.
Dupla avaliação e desrespeito: a luta continua
A APP-Sindicato reitera que a prova é para concurso público e repudia a manutenção da Prova Nacional Docente (PND) como critério de pontuação, o que impõe uma injusta dupla avaliação aos(às) educadores(as).
“Se desde as inscrições já ocorrem problemas graves, qual será a situação nas outras etapas? O certame envolve prova objetiva, avaliação da prova prática por vídeo e prova de títulos. A APP manifesta essa preocupação para solucionar os gargalos e garantir que nenhum candidato seja prejudicado, excluído ou jogado para o final da lista por falhas no sistema, além de estender os prazos para os pedidos”, conclui Élio.
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