Coletivo de Aposentados(as) discute laicidade do Estado e defesa da democracia

Educadores(as) aposentados(as) participaram nesta quarta-feira (19) do encontro macrorregional do Coletivo de Aposentadas(os) da APP-Sindicato. Realizado na sede estadual da entidade, o encontro reuniu cerca de 70 trabalhadores(as) para debater os rumos da luta diante do período eleitoral, momento fundamental de decisão de qual projeto político representará a categoria nos próximos quatro anos.

>> Receba notícias da APP no seu Whatsapp ou Telegram

“É imprescindível que realizemos uma análise criteriosa ao selecionar nossos candidatos. Devemos examinar minuciosamente o histórico de cada postulante, considerando suas trajetórias políticas, alianças firmadas e, fundamentalmente, suas propostas voltadas ao público feminino”, afirma a secretária de aposentadas(os), Elisa de Lima Muller.

Foto: Gabriela Zadvorne/arquivo APP-Sindicato

O encontro contou com uma palestra ministrada pela Prof.ª Dr.ª Marion Brepohl, que trabalhou o tema “O voto religioso: pluralismo e laicidade”, discorrendo sobre o conceito desse eleitorado e o avanço de movimentos fundamentalistas no sistema político.

A presidenta da APP-Sindicato, professora Walkiria Olegário Mazeto, participou do encontro e ressaltou a importância de combater o discurso reacionário, que afeta diretamente os(as) educadores(as) nas escolas.

“O meu direito privado, a forma como eu leio o mundo a partir da minha formação, não pode pautar a política pública. A política pública no país laico não pode ser construída e elaborada, pensada a partir do que é meu. É o que a gente está vendo nas escolas, nós fomos acusados de ter nas escolas o ‘Kit-gay’, quando mal temos tempo de passar o conteúdo científico”, completa a presidenta.

Foto: João Paulo Vieira/APP-Sindicato

Doutrinação evangélica

A Prof.ª Dr.ª Marion Brepohl explicou durante sua palestra sobre a ascensão das igrejas no debate político, passando pela ditadura militar (1964 – 1985) até os dias de hoje, com o aumento do número de políticos eleitos a partir de igrejas neopentecostais. A doutora explicou que, diferentemente de um voto de classe, cristãos se identificam com pautas morais e assim fazem a defesa dos interesses da igreja.

“Ao invés de votar como empregada doméstica, como médico e os interesses que daí decorrem, se vota a partir dos chamados interesses da igreja. Claro que esses votos passam pelo fisiologismo. A troca desses votos políticos, como, por exemplo, a concessão de radiotelevisão, licenças para construir templos, praças pró-Bíblia e subvenções, principalmente subvenções para ONGs, para este grupo”, aponta Marion.

A doutora explica ainda que o avanço de movimentos neopentecostais na política está associado à teologia do domínio, que, por influência norte-americana, se infiltrou nos aparatos estatais, criando uma ação de tomada do Estado e, consequentemente, impondo um conjunto de políticas danosas para parte da sociedade que não segue a mesma crença.

“Nós temos desde Ronald Reagan, atingindo o ápice com Donald Trump, essa mistura de valores morais na política. O Reagan incorporou pautas morais dos evangélicos conservadores com o discurso republicano, defendendo temas como oração nas escolas, restrições ao aborto, isso nos anos 80. Finalmente, com o Trump, vamos ter algo que é o mote ‘Deus, família, nação e livre iniciativa’, mais conhecido aqui no Brasil como ‘Deus, pátria e família’”, completa Marion.

Foto: João Paulo Vieira/APP-Sindicato

Para finalizar, a educadora reforçou: “A teologia do domínio se baseia na ideia de que Deus deu o planeta e que nós devemos dominar a Terra. Quem é esse ‘nós’? Nós, convertidos. Então, veja que daí começa a afetar a laicidade: os não cristãos não têm o mesmo direito de dominar a Terra do que os cristãos”.

Elisa enfatizou que, dentro desta perspectiva, é necessário que educadores(as) se posicionem e disputem o espaço, garantindo que a destruição da laicidade do Estado não leve direitos fundamentais, principalmente para minorias.

“Historicamente, o sufrágio feminino no Brasil, conquistado apenas em 1932, foi, durante muito tempo, cerceado por imposições patriarcais que subordinavam o voto da mulher às decisões de figuras masculinas. Atualmente, vivenciamos uma realidade distinta: exercemos com autonomia o nosso direito ao voto e representamos a maioria do eleitorado brasileiro, condição reforçada pelo crescente contingente de mulheres com mais de 60 anos. É nossa responsabilidade eleger representantes que priorizem a educação e reconheçam a importância vital do trabalho desempenhado por professores e funcionários escolares, assegurando, dessa forma, a valorização que a sociedade legitimamente merece”, conclui.

Foto: João Paulo Vieira/APP-Sindicato

 

Foto: João Paulo Vieira/APP-Sindicato 

Foto: João Paulo Vieira/APP-Sindicato

 

Foto: João Paulo Vieira/APP-Sindicato

 

Foto: João Paulo Vieira/APP-Sindicato

 

Foto: João Paulo Vieira/APP-Sindicato

 

Foto: João Paulo Vieira/APP-Sindicato

 

 Leia também:

>> Em audiência, Janja destaca avanços a partir de pacto contra o feminicídio

>> Retorno de livros a escolas reforça a luta contra a censura e pela autonomia docente

>> Julho das Pretas: Ocupar os espaços de poder e transformar a escola

>> Artigo | “Muito prazer, Maria.”

>> Formação de educadoras auxilia no enfrentamento da violência de gênero

>> Plenária das Mulheres da Educação da APP-Sindicato organiza a resistência para derrotar os retrocessos e defender a escola pública

>> Conferência define mobilizações para os próximos quatro anos

>> Dirigentes da APP-Sindicato participam de encontro internacional da Rede de Trabalhadoras da Educação

>> Dirigentes da APP-Sindicato são destaque na revista Mátria, que mostra a força feminina na educação e na democracia 

Notícias Relacionadas:

Receba notícias da APP no seu Whatsapp ou Telegram:
WhatsApp
POR