A Secretaria da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ da APP-Sindicato manifestou repúdio e solidariedade aos(às) estudantes trans da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que não tiveram o reconhecimento do nome social assegurado no primeiro turno das eleições para Reitoria da instituição, realizado na última segunda-feira (17). Em nota, a pasta afirma que expor publicamente os “nomes mortos” dos(as) acadêmicos(as) trans é uma forma de violência institucional.
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“O não reconhecimento da identidade de gênero não pode ser tratado simplesmente como uma inconsistência administrativa ou um problema de natureza operacional. Trata-se de uma situação que cria obstáculos efetivos ao exercício da cidadania, à participação política e ao respeito à dignidade de cada pessoa”, diz o texto.
Além de exigir uma investigação imediata e medidas de reparação, a nota pede a implementação de procedimentos e correções urgentes que impeçam a repetição do problema no segundo turno do pleito e também nas próximas eleições da instituição. Leia abaixo a íntegra.
NOTA DE REPÚDIO E SOLIDARIEDADE ÀS PESSOAS TRANS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ (UEM)
Pelo direito de existir, votar, estudar e ocupar a universidade sem transfobia!
A Secretaria da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ da APP-Sindicato vem a público manifestar seu mais profundo repúdio às graves irregularidades registradas durante o processo eleitoral para a Reitoria da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
De acordo com relatos apresentados pelo movimento estudantil e por integrantes da comunidade universitária, as listas utilizadas para votação não asseguraram o devido uso e reconhecimento dos nomes sociais e dos nomes retificados de estudantes trans. Essa situação configurou uma violação ao direito de participação eleitoral e, ao expor publicamente seus chamados “nomes mortos”, provocou constrangimento, humilhação e uma forma de violência institucional.
O não reconhecimento da identidade de gênero não pode ser tratado simplesmente como uma inconsistência administrativa ou um problema de natureza operacional. Trata-se de uma situação que cria obstáculos efetivos ao exercício da cidadania, à participação política e ao respeito à dignidade de cada pessoa. A universidade pública, enquanto espaço de produção de conhecimento e transformação social, deve promover acolhimento, respeito à diversidade e garantia de direitos, jamais contribuir para a manutenção de práticas de transfobia estrutural.
A Universidade Estadual de Maringá possui importante responsabilidade na promoção e consolidação de políticas de inclusão e respeito à diversidade no Paraná. Diante disso, o episódio registrado no primeiro turno do processo eleitoral exige uma investigação imediata, a adoção de medidas de reparação diante dos direitos violados e a implementação de correções que impeçam a repetição do problema nas próximas etapas da eleição.
Diante do exposto, reivindicamos que a Reitoria e a Comissão Eleitoral da UEM adotem, com urgência, todas as medidas necessárias para garantir, no segundo turno, o pleno respeito à identidade de gênero das pessoas trans integrantes da comunidade acadêmica. Cabe às instituições públicas qualificar seus procedimentos e estruturas administrativas, assegurar a observância da legislação vigente e garantir que nenhuma pessoa seja submetida a constrangimento, exposição indevida ou tenha seu direito ao voto dificultado ou impedido em razão de sua identidade de gênero.
A APP-Sindicato reafirma sua solidariedade às estudantes e aos estudantes atingidos(as) e segue firme na luta por uma educação pública, gratuita, laica, inclusiva e livre de qualquer forma de discriminação.
Nossa luta é por direitos, respeito e pela vida da população trans!
Curitiba, 20 de agosto de 2026
Secretaria da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ da APP-Sindicato


