Nova carreira do magistério de Antonina começa a ser implantada

Os(as) professores(as) da rede municipal de Antonina, no litoral do estado, já começaram a receber o salário com os valores atualizados pela nova tabela salarial da categoria. A medida atende ao calendário de implantação do novo plano de carreira do magistério, lei sancionada em maio deste ano e conquistada de forma histórica, após os(as) educadores(as) se organizarem como Direção Municipal da APP-Sindicato e décadas de luta.

>> Receba notícias da APP no seu Whatsapp ou Telegram

Além da mudança na tabela de remuneração, o novo plano garante a aplicação do reajuste anual do Piso Nacional do Magistério com reflexos na carreira, organiza a evolução funcional baseada em critérios de formação acadêmica e desempenho profissional e estimula a qualificação continuada do corpo docente. “Esta conquista é fruto de um trabalho coletivo e persistente que mostra a importância da organização a partir da APP-Sindicato, destaca a presidenta do Núcleo Sindical da APP-Sindicato em Paranaguá, Vanda Santana.

Vanda Santana (primeira à direita), discursa durante cerimônia de sanção do novo plano de carreira – Foto: Prefeitura de Antonina

A professora Sônia Mara, docente da Escola Municipal João Paulino, é uma das cerca de 160 professoras da rede municipal que serão beneficiadas. “O plano de carreira vai trazer grandes benefícios na minha vida profissional. Essa conquista trouxe segurança, confiança e, antes de tudo, acreditar que podemos ter como pagar nossas contas em dia”, comemora, lembrando que a reivindicação vem de muitos anos, com promessas de vários prefeitos, e nunca saía do papel.

Ela conta que esteve presente em todas as discussões e lembra que durante o processo houve muitos momentos de frustração e tristeza por estarem lutando e não serem atendidos(as) e confessa até ter perdido a esperança de que um dia veria o plano aplicado. “Agradeço a APP-Sindicato que a todo momento esteve junto nessa luta, nos dando apoio e não deixou de lutar ao nosso lado. O plano de hoje me faz acreditar que lutar vale a pena, uma sensação de dever cumprido, feliz por ver que pude contribuir para a melhoria na vida de nossos colegas e me sinto realizada”, completa a professora.

Quem também está celebrando a conquista é a professora Adriana de Abreu Borba. “Essa vitória é histórica. Tivemos um grande avanço e conseguimos mudar um plano que estava achatado e sem perspectiva de crescimento para um plano que, agora, valoriza e contempla todos os professores. É claro que os professores mais novos tiveram menos avanço, mas com o passar do tempo também serão contemplados. Nós que já temos mais de 20 anos de carreira estávamos estacionados há muito tempo sem nenhum avanço”, acrescenta.

Dignidade profissional

Para a secretária de Assuntos Municipais de Paranaguá, Flávia Redello Miranda, falar sobre a importância de um plano de cargos e salários para a profissão de professor(a) é falar da dignidade profissional e da valorização pessoal. A dirigente lembra que entrou nesta luta em 2015, como representante da APP-Sindicato, e observa que esse tipo de direito é fruto de uma luta constante da classe trabalhadora, mas em especial para o magistério de Antonina.

Ela avalia que foi uma conquista muito difícil e uma tarefa muito demorada, mas que valeu a pena. “Hoje, vemos renascer nos olhos dos profissionais da educação a esperança, a valorização pessoal, a dignidade profissional. Vemos também renascer neles a independência e a estabilidade financeira, a condição de se aperfeiçoar na sua profissão. Enfim, traz para nós uma valorização da educação, não só para os moradores de Antonina, mas também para os profissionais”, afirma.

Histórico

A lei 27/2026, que institui o novo Plano de Cargos, Carreira e Remuneração do Magistério Público Municipal de Antonina, foi sancionada no dia 7 de maio deste ano pela prefeita Rozane Osaki (PSD), mas a luta dos(as) professores(as) para chegar a essa vitória remonta a mais de 20 anos. A professora Cláudia Canha dos Santos, ex-coordenadora da Direção Municipal da APP-Sindicato e atualmente aposentada, guarda na memória o histórico desta luta.

Segundo ela, em 1998 ocorreu a aprovação do primeiro plano de carreira da categoria do município de Antonina, mas a medida só existiu no papel. “Os professores trabalhavam em jornada de 25 horas, o que impedia de realizar trabalhos em outros empregos ou até pegar aulas no estado. Os diretores e coordenadores eram indicados pela prefeita e havia muita opressão no nosso trabalho”, relata.

Foto: Mobilização das professoras no dia 6 de novembro de 2017, aniversário de Antonina – Foto: arquivo pessoalA docente explica que a partir deste momento as professoras começaram a se organizar e construir a participação no sindicato. “Em 2008, foi aprovada a Lei 45 de 2008, o segundo plano de carreira da categoria. O que mudou foi a diminuição da carga horária para 20 horas e o início das horas-atividade, com aulas de Educação Física, Artes e Inglês. Não durou muito tempo. Logo os professores de Educação Física saíram e foram para outras secretarias”, conta.

A professora Cláudia conta também que, naquele período, as atendentes de creche, que até então faziam parte da Assistência Social, vieram para a Educação e passaram a ser chamadas de professoras da educação infantil. No ano seguinte, em 2009, ela lembra que ocorreu a primeira eleição para direção de escolas e creches e, em 2010, o primeiro reenquadramento da categoria por formação, mesmo com uma tabela que não valorizava nada. Já em 2012, foi aprovada a Lei 25/2012, com a participação da APP-Sindicato, trazendo avanços como a aplicação do Piso Nacional do Magistério como base salarial.

Arquivo de jornal registra greve dos(as) professores(as) de Antonina, em 2016 – Foto: arquivo pessoalEm meio a avanços e ao início da organização da categoria com o apoio da APP-Sindicato, Cláudia pontua que mesmo com a eleição nas escolas, os(as) diretores(as) e coordenadores(as) ainda eram nomeados(as) como cargos de confiança da gestão municipal. “Eles não faziam parte da carreira do magistério e não estavam na tabela salarial do magistério”, pontua.

O relato da professora aponta que em 2015 os(as) educadores(as) se organizam como Direção Municipal da APP-Sindicato e iniciam estudos para um novo plano de carreira. Em 2016, depois de muita negociação para ampliação da hora-atividade e da progressão de nível, a categoria entrou em greve. “Ficamos três meses negociando. Retornamos para as escolas com promessas de melhorias, que não aconteceram. Naquele ano, foi aprovado o plano de carreira em um dia e revogado após uma semana, a pedido do Ministério Público, por onerar a folha de pagamento para o próximo prefeito”, explicou.

 

Educadoras acompanham a votação do projeto de lei que institui o novo plano de carreira do magistério – Foto: arquivo pessoal

Claudia conta que de 2016 a 2025 houve avanço na progressão de nível, na aplicação do piso nacional e  na jornada suplementar, que foi implantada com a ajuda da APP-Sindicato, mas o plano de carreira continuou estagnado, apesar dos estudos. “A história mudou em 2025 e 2026, quando a APP-Sindicato e a Secretaria Municipal de Educação, gestão Simone Medina, fizeram a atualização do plano de carreira, os estudos de impacto financeiro, e tivemos êxito na aprovação e aplicação da valorização por níveis e classes da carreira da categoria”, completa.

Para a presidenta do Núcleo Sindical da APP-Sindicato em Paranaguá, Vanda Santana, ainda há outros desafios, como a implantação adequada da hora-atividade. “Por isso, reforçamos o convite para sindicalização e manter nossa mobilização e organização”, destaca.

► Leia também:

>> Educadores(as) das redes municipais destacam papel da APP-Sindicato nas conquistas da categoria

>> Luta pelo plano de carreira avança em Anahy com apresentação de minuta ao prefeito

>> União e luta: Professores(as) municipais de Antonina conquistam Plano de Carreira

Notícias Relacionadas:

Receba notícias da APP no seu Whatsapp ou Telegram:
WhatsApp
POR